Sobre o aborto
Aceitei ser mandatário nacional de um movimento favorável à despenalização da interrupção voluntária da gravidez A convite de Pedro Delgado Alves.
Não podia deixar de contribuir activamente para lutar pela alteração de uma lei temporalmente desfasada da realidade social que tanta injustiça e desigualdade tem gerado. A lei deve acompanhar a necessidade humana, sendo que o que a precede será sempre um conjunto de preceitos axiológicos que norteiam o caminho de uma comunidade. A prática do aborto é corrente, afectando todos os sectores da sociedade. A questão premente que se coloca é se todas mulheres têm direito a fazê-lo sob as mesmas circunstâncias. Sabemos que não.
Acredito numa sociedade livre. Acredito numa sociedade que seja capaz de saber ultrapassar preconceitos e livrar-se de hipocrisias. Não vivemos uma época de crise de valores, mas sim um tempo em que esses velhos valores são questionados, pensados, reflectidos e que vão sendo ultrapassados para dar lugar a outros. É uma falácia e revelante de franca desonestidade intelectual querer inferir que os cidadãos defensores do sim são pessoas despidas de qualquer orientação valorativa, sem ética e orientação moral. Este é um movimento supra partidário, que envolve vários quadrantes da sociedade civil, que partilham as mais variadas confissões religiosas, ou nenhumas.
O manifesto e a lista de mandatários poderá ser visitada em: www.jovenspelosim.org.
Contribuam.
Publicado por em 13:03:41
Amigo Germano, como gosto de te “ouvir”…
Eu só digo é que se a classe conservadora da nossa sociedade que é toda contra o aborto tivesse um azar de alguma filha destes ter uma gravidez indesejada por este ou aquele motivo ou em que circunstância fosse, eram os primeiros a fazer o aborto para manterem a imagem ou a “fachada” destes na alta sociedade…Faziam-no, gastassem o que gastassem…
Mas a hipocrisia fazem com que estes sejam contra a despenalização do aborto…
Tá tudo dito.
Para bom entendedor…
Grande Abraço,Ilustre Amigo Germano Amorim.
Francisco.
Ilustre Amigo Germano Amorim,agora,nestes dias de campanha, sobre o abotro é muito provável que a demagogia e o terrorismo verbal irrompam sempre que de interrupção voluntária da gravidez falarmos. E o referendo, ampliará esses ecos, ao invés de termos um debate mais sob o signo da razão.
Sou pelo sim,como sabes,Ilustre Germano Amorim, porque acho razoável que até às dez semanas esta questão seja do domínio do livre arbítrio da mulher e do seu círculo íntimo. Não posso concordar em deixar tudo como está; manter uma absurda lei penal que, longe de inibir a prática do aborto,empurra as mulheres para as margens da clandestinidade, criando um problema de saúde pública que importa resolver. Além disso, a lei penal não pode ser a mera de tradução juízos éticos ou morais, como sabes! Não se pode arrastar esta discussão para o domínio do penal. Acredito que a mudança da lei criará, a prazo, as condições para reduzir o aborto à sua mínima expressão social.
Aqui, não se trata sequer de defender o aborto em si, mas de reconhecer a maternidade como uma opção, um acto de amor, e não uma função meramente biológica, ou uma fatalidade. Significa dizer que o mais importante é colocar à disposição do casal – em especial da mulher – todos os instrumentos disponíveis para assegurar o direito de decisão. Significa, da mesma forma, e isso afirmo sem medo de outras interpretações , regulamentar e colocar ao alcance da fiscalização sanitária uma prática vulgarizada em ambientes supostamente clandestinos, inseguros, que movimenta no nosso País milhares de Euros por ano, dos quais uma boa parte serve para alimentar muita corrupção.
Ao manter-se numa posição cega em relação a um quadro tão grave, em Portugal, a Igreja católica vai acabar por sentir o mesmo desgaste que teve noutros países Europeus, onde as catedrais tem sido mais frequentada por turistas, curiosos sobre o fausto e o ouro exibido nos seus altares, do que por fiéis na procura de paz e protecção divinas. A cada um dos portugueses, cabe fazer essa escolha, em consciência.
- Se querem manter as redes de aborto clandestino ou não;
- Se querem manter a perseguição e o julgamento de mulheres ou não;
- Se querem recusar às mulheres portuguesas a autonomia nas suas escolhas familiares ou não;
É isto que está em causa!
Eu acho que é preciso acabar com esta lei. A única forma de acabar com ela é através da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, que apenas possibilita às mulheres o acesso aos cuidados de saúde que elas merecem e necessitam. Isso é lutar pela vida.
Contra factos não há argumentos.
Grande Abraço Amigo,Ilustre Doutor Germano Amorim.
Francisco.
Meu caro amigo Francisco,
Antes de mais muito obrigado pela tua participação e válido contributo em torno de uma questão tão polémica quanto delicada.
Concordo inteiramente com o teu comentário e esperemos que em pleno século XXI Portugal tenha a coragem de dizer sim.
Grande abraço,
Germano