Thursday, January 18, 2007

Pedido de desculpas

Devido a problemas de ordem informática não me tem sido possível apresentar os novos textos, bem como responder aos meus fiéis leitores. Desde já as minhas desculpas e prometo que brevemente voltarei!

Abraços,

Germano

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Monday, January 15, 2007

Sons de Vez

Com concertos de Pop Dell’ Art e Tropa Macaca, abre a 19 de Janeiro a 5ª edição da Mostra de Música Moderna Portuguesa Sons de Vez!. Marcado, uma vez mais, para o Auditório da Casa das Artes de Arcos de Valdevez, o evento estende-se até 9 de Março e apresenta oito noites dedicadas a projectos musicais nacionais. Um total de dez, numa lista onde também constam nomes como os de Balla, Born a Lion, Green Machine, Ironic Speech, Linda Martini, Moonspell (único concerto da próxima digressão da banda marcado para solo português), Stowaways e Submarine.

O Sons de Vez! continua a seguir «uma perspectiva de abordagem “alternativa”» e a apostar «em alguns nomes emergentes e em outros consolidados, mas sempre na perspectiva de cenários “opcionais” e “paralelos”», como se lê em comunicado oficial.
Para este ano, a organização do evento avança com a exibição de documentários relacionados com o universo da música portuguesa. Rockumentário, de Sandra Castiço, e Movimentos Perpétuos, de Edgar Pêra, são dois dos filmes com projecção confirmada.

A província tem destas coisas…

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Thursday, January 11, 2007

A estratégia do aborto

A campanha pelo referendo próximo começa a aquecer. As tropas juntam-se e cerram fileiras. Sairá vencedor quem cometer menos erros estratégicos. O primeiro dos erros poderá ser acreditar na ideia de que desta vez a opinião pública generalizadamente é favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Tenho as minhas sérias dúvidas… Portugal é um país conservador e por natureza avesso a mudanças. Gostamos do nosso cantinho como ele é, sem surpresas, sem mudanças na rotina quotidiana. Daí resultará não só o argumento anteriormente referido, como a reduzida afluência às urnas. A participação em causa não é encarada pela maioria dos cidadãos eleitores como a forma mais directa de exercício democrático possível, mas sim como uma forma de incómodo. A abstenção continua pois a ser um dos grandes perigos para o “Sim”.

Outro erro estratégico que se poderá cometer será a radicalização do discurso contra o “Não”. Aliás, quem geralmente é detentor do estilo são exactamente estes, através do recurso abusivo a linguagem verbal e visual de forma bruta, crua, nua, em que constantemente usam termos como vida, morte, torturas de fetos a serem aspirados, crueldade, etc. Não nos podemos esquecer que a sua base linguística é próxima da igreja que muitas vezes se socorre deste estilo apocalíptico e trágico para fazer vingar os seus autos de fé. Portanto, não cometamos o mesmo erro. A serenidade é fundamental na argumentação de assuntos que tem apenas relação com a nossa consciência individual. Não há blocos opositores. Apenas opiniões pessoais diversas sobre o assunto.

Finalmente e talvez o erro mais preocupante tem sido a envolvência de algumas figuras públicas defensoras do “Sim”. Exige-se bom senso. Há pessoas que ao veicularem a sua mensagem conseguem de forma incrível cometer todos os erros em simultâneo. Quer queiramos quer não, vale muito mais a adesão de Rui Rio ou de Miguel Relvas a qualquer dos movimentos pelo “Sim”, ou de um artigo de Pacheco Pereira, do que mil discursos proferidos por Carvalho da Silva ou algumas figuras pardas do Bloco de Esquerda. Transmitem além de credibilidade, a noção clara de que o tema é bem mais importante do que qualquer filiação partidária que nos orienta e portanto merecedora de um movimento de união comum. É muito importante fazer florescer as figuras nacionais da dita direita para as câmaras de televisão, tanto mais que os ditos de esquerda que são pelo “Não”, principalmente pelo lado do P.S., terão relutância em assumir-se contra a posição oficial do seu partido e ainda mais sendo esta uma reivindicação tradicional da dita.

Desta vez o “Sim” pode vencer. A ver vamos se haverá vontade para tal e as personalidades de alguns não se queiram sobrepor aos princípios que estão em causa. Sejamos inteligentes.

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Tuesday, January 9, 2007

País emigrado

Os últimos tempos têm sido férteis em revelações de factos que contrariam as perspectivas optimistas do governo de Sócrates.

Em primeiro lugar a revelação do parecer do Tribunal de Contas (que não é mais do que o órgão supremo de fiscalização da legalidade das contas do Estado que lhe estão submetidas) de que o Governo teria cometido ilegalidades na apresentação sobre a Conta Geral do Estado referente ao ano de 2005. Parece que afinal o número mágico do défice de 6%, que tudo tem justificado para impingir todo o tipo de sacrifícios aos portugueses, não corresponde à realidade. Nem sequer vou recordar as habituais declarações que se fazem sobre as pesadas heranças que se recebem de governos anteriores de cor diferente da que tiver alcançado o governo. Estamos todos fartos dessas parangonas e desse falsíssimo e sensaborão discurso que se aprende em qualquer cartilha partidária. O que importa realmente é que as acusações explanadas neste parecer só poderiam ter qualquer efeito se o Ministério Público formalizasse a acusação, como lhe compete, e apurasse efectivamente quem está a dizer a verdade, o Dr. Oliveira Martins, ou o ministro das finanças. Uma boa oportunidade nas mãos do Dr. Pinto Monteiro para contrariar a imagem de que mil ilegalidades cometidas em Portugal se transformam em legalidade. A prática reiterada de actos contrários à lei que se convertem, com a complacência geral, em actos legais são imensos em Portugal, mas, fazer os portugueses crer que as contas apresentadas pelo estado são uma fraude, é por demais violento aceitar. Ainda mais quando é o próprio ministro competente pela pasta a anunciar que logo “a priori” existem dois tipos de Contas: a interna e a europeia. Famosos economistas da praça apressaram-se imediatamente a dizer com desdém que isto é comum, coisa de somenos importância. A comunicação social incrivelmente resigna-se e não deu a importância devida ao assunto, que mais não é, do que o retrato fiel da variabilidade da verdade à portuguesa. 

Em segundo lugar e bem mais preocupante, o aumento de emigração em Portugal. Cerca de noventa mil portugueses emigraram no ano transacto. A descrença no país e num futuro próspero vão assim ditando o abandono da pátria. A desistência e a obrigatoriedade assim o impõem. Os fantasmas do estado novo afinal nem sequer tiveram tempo de ser exorcizados. Pairam como espectros em torno de cada um de nós lembrando-nos constantemente que afinal nada mudou assim tanto. Apenas o direito inalienável e fundamental da liberdade de expressão. O fenómeno não é mais do que a expressão paradigmática da desmotivação generalizada que se sente e que se vive.

Portugal continua à deriva, sem rumo…

 

 

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Thursday, January 4, 2007

Blogs e democracia

A proliferação de blogs é um fenómeno incontornável nos dias que correm. Estima-se que hajam hoje cerca de 60 milhões de webloggers activos em todo o mundo. As consequências que daí resultam, ou poderão resultar, deverão ser objecto da nossa reflexão.

Esta criação é uma das mais importantes revoluções democráticas silenciosas a que alguma vez se assistiu, dado ser possível difundirmos as nossas opiniões sem qualquer entrave ou restrição. Todos os que têm acesso aos meios informáticos necessários, podem expressar-se livremente como qualquer marinheiro num log (diário de bordo) onde descreve as suas façanhas, jornadas ou o que bem entender. Podemos dar-nos a conhecer melhor, podemos conhecer os outros melhor. Obriga-nos a estar atentos, a pensar, a observar, discutir, indagar, constituindo portanto um meio de exercício intelectual permanente. A escrita de opinião por exemplo é hoje difundida cada vez mais não nos meios convencionais existentes, mas sim nos blogs respectivos. Com a vantagem acrescida de acrescentar aos textos o que se entender a nível musical e fotográfico.

A proliferação de opinião é algo de extremamente necessário. A letargia social a que somos ditados por intuitos meramente comodistas tem agora e de forma invulgar a possibilidade de ser rebatida.

Em jeito de balanço, apesar de ser um neófito nestas andanças, surpreende-me o nível de adesão crescente de leitores e comentadores à “Província”. Desde já um muito obrigado.

Daqui lanço um apelo de participação a todos quanto conheço que tanto têm para dizer. Com as facilidades que hoje temos ao nosso alcance será de todo indesculpável que cruzemos os braços e fiquemos à espera que algo aconteça, que mude as nossas vidas!

Aliás lanço daqui um desafio bem mais particular. Onde estão os jovens advogados que estão descontentes com o seu tempo de estágio perfeitamente inusitado e absurdo? O nosso projecto foi esquecido? Da minha parte não. Aguardo as vossas reacções.

 

P.S. uma especial recomendação para visitarem o blog: http://ecos-aqui.blogspot.com/

Beijo Sara.

Posted by Germano Amorim at 19:01:40 | Permalink | Comments (4)

Wednesday, January 3, 2007

Euro inflação

Uma sondagem realizada na Alemanha sobre a introdução da moeda única no espaço europeu veio revelar que 60% dos inquiridos julgam que foi uma má medida. Não porque seja Germano, porque o sou, ou especialmente germanófilo, mas, não posso deixar de me sentir aliviado (julguei, confesso, tratar-se de uma paranóia incurável!) por saber que a minha opinião é de todo coincidente com tão admirável povo. Sabemos que nem sempre a maioria alemã produziu bons resultados, a história bem recente bem o comprova, porém, neste caso estamos a falar do normal entendimento que qualquer cidadão médio europeu poderá ter acerca do assunto. Estão contra, porque após a introdução da moeda única a treze países da U.E. assistiu-se a uma prática inadmissível de aumento dos preços, estando as respectivas taxas de inflação devidamente controladas. Estão aqui em causa argumentos que a meu ver em nada se relacionam com a confusão latente entre soberania e cunhagem de moeda, ou até uma nostalgia numismata pelo escudo. Apenas o facto de se constatar que a vidinha ficou mais cara, apenas isso. Um dos argumentos que mais se utilizava para exemplificar os benefícios do euro era a do cidadão europeu que viajando pela Europa, com as respectivas moedas antigas, perderia um dinheirão só em taxas de câmbio. Esse cidadão não era português de certeza! Com os nossos níveis salariais só após endividamento bancário é que a generalidade lusitana poderia ter condições para viajar. Pelos vistos nem a grande maioria dos alemães se aperceberam dessa tão grande vantagem! Efectivamente e mais uma vez a única vantagem da moeda única era de facilitar as trocas comerciais. Tudo bem que assim o seja, mas mais uma vez se assistiu à despreocupação da U.E. relativamente aos seus cidadãos, aos seus problemas, ao seu dia a dia. A expansão do grande mercado europeu, esse sim o objectivo primacial, contrariando todas as expectativas dos seus grandes fundadores. Jean Monet dizia: não coligamos Estados, unimos homens.

Estes assuntos que nos parecem comezinhos vão roendo a credibilidade das instituições. A U.E. move-se por quase misteriosos desígnios para o vulgar cidadão europeu. Este apenas pretende que a sua vida melhore, com ou sem fronteiras, com ou sem moeda, com ou sem controlo político eficaz sobre as mais variadas medidas e quando assim não acontece…

Fico mesmo assim mais aliviado de estar permanentemente a relembrar os preços de antigamente sem parecer um velho do Restelo.

Posted by Germano Amorim at 17:54:48 | Permalink | No Comments »

Tuesday, January 2, 2007

Bom 2007, se conseguirem…

Cá estamos em mais um ano novinho em folha! Como é da praxe, formularei alguns desejos para este ano que se estreia e que tanto promete.

A saber, desejo o seguinte:

1. Que não aumentem os combustíveis;

2. Que não aumente o preço do pão;

3. Que não aumente o preço da electricidade em 6%!

4. Que não aumente o preço do café;

5. Que não aumentem o preço dos jornais;

6. Que não diminua o poder de compra;

7. Que não haja congelamento de aumento de reformas;

8. Que não hajam despedimentos em massa por abandono de empresas;

9. Que não aumentem os preços das portagens;

10. Que de uma vez por todas se verifique se o apito é mesmo dourado;

11. Que a F.P.F. seja responsabilizada caso o Nuno Assis seja novamente penalizado;

12. Que Lula tome posse não desfilando de pé num Rolls Royce;

13. Que Chávez desapareça;

14. Que Fidel morra sossegado e rapidamente, Pinochet já foi;

15. Que a O.N.U. produza alguma coisa;

16. Que a U.E. tenha alguma política;

17. Que Portugal tenha alguma política;

18. Que Bush aprenda política;

19. Que a E.T.A. pare os atentados contra civis;

20. Que Kim Jong Il tenha ciúmes de Ban Ki-moon;

21. Que os massacres em Darfur parem;

22. Que as calotas polares não derretam;

23. Que os americanos abandonem o Iraque;

24. Que Ahmadinejad aprenda a fazer política com Bush;

25. Que alguém tivesse explicado ao T.P. Iraquiano (e aos génios americanos) constituído ad hoc, que enforcar ditadores transforma-os em vítimas;

26. Que Ségolène Royale e Sarkozy percam as eleições;

27. Que Le Pen seja obrigado a emigrar para Israel;

28. Que o Papa Bento XVI se declare a favor da I.V.G. desautorizando Policarpo;

29. Que Maria Lurdes Rodrigues vá dar aulas de substituição para uma escola da Musgueira;

30. Que se realize um festival de caricaturas sobre Maomé, Cristo, Buda, etc., seguido da ópera de Mozart Idomeneo, em cada capital mundial;

31. Que haja democracia na Rússia sem polónio-210;

32. Que haja democracia na China nem que fosse com um pouco de polónio-210;

33. Que o conflito israelo-árabe termine;

34. Que não deixemos cair o Caso Casa-Pia em esquecimento e se apure tudo até ao fim;

35. Que Sócrates se pegue com Cavaco;

36. Que Cavaco se pegue com Sócrates;

37. Que os jornalistas se peguem com ambos;

38. Que os projectos da Ota e do TGV fiquem na gaveta;

39. Que os bons resultados do capitalismo se reflictam numa justa e equitativa distribuição da riqueza;

Tudo isto ou já é real ou está prestes a ser. Por outro lado há coisa que provavelmente nunca virão a ser. As semelhanças destes pedidos com a realidade são meras coincidências.

De qualquer forma um bom ano de 2007 para todos!


 

 

Posted by Germano Amorim at 13:05:34 | Permalink | Comments (18)