Uma sondagem realizada na Alemanha sobre a introdução da moeda única no espaço europeu veio revelar que 60% dos inquiridos julgam que foi uma má medida. Não porque seja Germano, porque o sou, ou especialmente germanófilo, mas, não posso deixar de me sentir aliviado (julguei, confesso, tratar-se de uma paranóia incurável!) por saber que a minha opinião é de todo coincidente com tão admirável povo. Sabemos que nem sempre a maioria alemã produziu bons resultados, a história bem recente bem o comprova, porém, neste caso estamos a falar do normal entendimento que qualquer cidadão médio europeu poderá ter acerca do assunto. Estão contra, porque após a introdução da moeda única a treze países da U.E. assistiu-se a uma prática inadmissível de aumento dos preços, estando as respectivas taxas de inflação devidamente controladas. Estão aqui em causa argumentos que a meu ver em nada se relacionam com a confusão latente entre soberania e cunhagem de moeda, ou até uma nostalgia numismata pelo escudo. Apenas o facto de se constatar que a vidinha ficou mais cara, apenas isso. Um dos argumentos que mais se utilizava para exemplificar os benefícios do euro era a do cidadão europeu que viajando pela Europa, com as respectivas moedas antigas, perderia um dinheirão só em taxas de câmbio. Esse cidadão não era português de certeza! Com os nossos níveis salariais só após endividamento bancário é que a generalidade lusitana poderia ter condições para viajar. Pelos vistos nem a grande maioria dos alemães se aperceberam dessa tão grande vantagem! Efectivamente e mais uma vez a única vantagem da moeda única era de facilitar as trocas comerciais. Tudo bem que assim o seja, mas mais uma vez se assistiu à despreocupação da U.E. relativamente aos seus cidadãos, aos seus problemas, ao seu dia a dia. A expansão do grande mercado europeu, esse sim o objectivo primacial, contrariando todas as expectativas dos seus grandes fundadores. Jean Monet dizia: não coligamos Estados, unimos homens.
Estes assuntos que nos parecem comezinhos vão roendo a credibilidade das instituições. A U.E. move-se por quase misteriosos desígnios para o vulgar cidadão europeu. Este apenas pretende que a sua vida melhore, com ou sem fronteiras, com ou sem moeda, com ou sem controlo político eficaz sobre as mais variadas medidas e quando assim não acontece…
Fico mesmo assim mais aliviado de estar permanentemente a relembrar os preços de antigamente sem parecer um velho do Restelo.