O PSD encontra-se à deriva. Atravessa uma das suas piores crises de sempre. Os últimos acontecimentos e dislates não podem deixar indiferentes os seus militantes, senão vejamos: o fim da militância de José Miguel Júdice e a sua entrevista no semanário Expresso. Nesta, Júdice, traça um retrato sobre o depauperado estado dos partidos políticos portugueses na sua generalidade. Acusa os partidos de afastarem a inteligência através dos habituais esquemas de bastidores mais moldados aos companheiros adaptados à forma de locomoção mais semelhante aos répteis do que propriamente aos homens. Será o darwinismo político no seu expoente máximo a que se refere? Em relação ao partido em particular, diz-nos que o PSD está a atravessar uma grave crise ideológica, não sabendo se o espaço que deve ocupar dever-se á situar mais à esquerda, mais à direita, de forma mais liberal… O facto de nunca ter sido chamado ou ouvido pelo actual líder Marques Mendes, ou melhor dizendo, a indiferença de Mendes perante a sua pessoa também contribui sobremaneira para a sua tomada de decisão. Sentia-se inútil na sua casa e como tal bateu com a porta.
Santana Lopes participou como orador nos estados gerais da direita em Portugal a convite de Manuel Monteiro. Aqui claramente deixou a mensagem de que a breve trecho poderia surgir uma nova força partidária muito graças ao actual estado do partido, bem como aos eventuais combates que se avizinham e que não deixarão pedra sobre pedra! A verdade é uma, Santana foi indubitavelmente muito mal tratado pelos seus pares e talvez esta reacção seja fruto dessa mágoa, porém a sua credibilidade já conheceu melhores dias.
Manuela Ferreira Leite simplesmente achincalhou publicamente Marques Mendes. Aquando da sua proposta para a breve prazo o governo baixar os impostos, Leite derramou a acusação gravíssima de que tal despautério apenas se poderia dever a movimentos de bastidores partidários com intuito de alcançar protagonismo. Inadmissível esta reacção perfeitamente desleal! Mas, olhando para trás nada que não provoque umas certas risadinhas. Mendes é que pode bem chorar sobre o Leite azedo derramado, apesar de adiantar pouco…
Ainda nesta senda, de que algo vai mal no reino da Laranja, Ana Gomes, revelou há pouco tempo em entrevista, de que Durão Barroso ter-lhe-ia dito que os partidos políticos são apenas instrumentos para chegarmos ao poder. Não é de todo surpreendente se admitirmos os resquícios ideológicos pragmáticos maoístas em que Durão acreditava. Durão ao abandonar as suas funções governativas pouco se importou com os destinos do país e do seu partido. Preferiu rapidamente entregar, qual presente envenenado, a um deslumbrado Santana a pasta do poder. Um homem que expôs o país à tanga ou que nos deu a todos uma grande tanga!
Finalizando, o PSD nas suas bases. Os órgãos eleitos estão decadentes, descrentes e saturados de pessoas que nada têm em comum com o legado daqueles que construíram com base na ideologia social-democrata de Bernstein o mais português dos partidos. O único capaz de entender durante anos a fio as idiossincrasias nacionais e as simbioses que eram necessárias alcançar para que o país progredisse, aliás durante anos a fio, o partido mais progressista em variadíssimas matérias, mas, que infelizmente o tempo tem pregado a partida de congelar esse seu lado reformista transformando-o cada vez mais num partido conservador e incapaz de provocar rupturas. Os poderes instalados passaram a ser aliados do partido quando se exige a este o inverso, que ataque esse mesmo estado de coisas que tão maus resultados têm provocado ao longo dos anos.
O retrato fiel de tudo isto na sua máxima personificação é Marques Mendes, que simultaneamente é vítima dos seus e de si próprio, bem ao estilo de Santana que não teve a habilidade de perceber o quão mal rodeado estava e quão desadequado estava naquele momento no exercício das suas funções.
Partilho do mesmo ponto de vista de Vasco Pulido Valente quanto à ideologia. Buscar os melhores conceitos axiológicos a cada um dos lados e, acrescento, aplicá-los com uma boa dose de pragmatismo, com um bom tempero de sensibilidade social e de compreensão.