Tuesday, March 27, 2007

Salazar ganha eleição democraticamente!

Dita-nos o bom senso o afastamento do que nos perturba para podermos analisar a situação de um ponto de vista menos tolhido pelas emoções momentâneas que na maioria das vezes se revelam de facto efémeras. Foi o que fiz. Quando soube dos resultados do popular concurso do canal 1 da RTP, os Grandes Portugueses, imediatamente fiquei embaraçado com o meu próprio país por ter a ousadia de escolher Salazar para sua referência de séculos de história, onde felizmente avultam figuras de inestimável valor e que tão bem o programa ajudou a reavivar a memória. Fiquei furioso! Revoltado por considerar que aquele que tanto contribui para nos afastar da via do progresso fosse agora premiado desta forma. Ironia do destino… Salazar ganhara a eleição de forma limpa. Por outro lado, e do outro lado, esteve Cunhal, um resistente antifascista, que lutou com todas as suas forças para combater o obscurantismo de um estado novo que só nos envelheceu, empobreceu, entristeceu. Mas, não nos esqueçamos que a revolução para Cunhal não acabara no 25 de Abril de 1974. Apenas era o primeiro passo para a implementação de um novo regime ditatorial, desta vez, marxista-leninista.

Em suma, os portugueses têm fascínio por figuras com pendor autoritarista, que vivem a vida de forma espartana em sacrifício absoluto por um povo que a melhor coisa que faz é agarrar-se ao garrafão na primeira oportunidade que têm! Por isso gostamos de figuras que mandem em nós porque não queremos e não gostamos desse peso de responsabilidade em cima das nossas costas. Para quê perder tempo para pensar em coisas tão aborrecidas quanto a política se temos quem o faça por nós?

Outra das questões que não poderá nunca ser ignorada prende-se com o facto de estarmos a falar de um concurso. Não passa disso mesmo, apesar de não devermos nunca ser arrogantes ao ponto de ignorarmos os sinais que a sociedade de forma directa ou mais ou menos enviesada vai fazendo chegar ao poder, é apenas disso que se trata. Estamos a falar de cerca de duzentos mil participantes, o que é fantástico em termos de adesão, mas, esse número não representa mais do que 2% da população portuguesa. Portanto desenganem-se os que pensam que a organizadíssima extrema-direita verá aqui a oportunidade de tomar o poder de assalto. Nada disso. Porém subsiste o perigo da inconstitucionalidade face à liberdade de expressão de proibir todo o tipo de manifestação fascista. Prefiro conhecer a cara de quem tão odioso regime defende do que através de subterfúgios, como a abertura de um museu, ou da vitória num concurso, faz passar a sua mensagem de forma aparentemente inocente e com o beneplácito implícito do povo, como se de repente todos fôssemos salazaristas de novo. O neo-salazarismo está para nós como outros fenómenos de extrema-direita que proliferam pela restante Europa. O despertar dos nacionalismos chega mais uma vez atrasado ao lusitano canto.

Outra ilação que poderemos retirar é o desalento geral com as gerações de políticos portugueses pós 25 de Abril. Nem um sequer teve direito a figurar na passadeira dos 10 primeiros. O povo está sem dúvida desiludido, agastado. Muitas vezes correctamente, mas, também como uma memória muito curta por já não se lembrarem do nível de vida que antes da entrada na U.E. tinham, ou melhor, simplesmente, que não tinham.

 

Posted by Germano Amorim at 16:36:29 | Permalink | Comments (2)

Thursday, March 22, 2007

O governo de 1984

Sócrates tem tendências notoriamente autoritaristas que cada vez menos tem preocupação em disfarçar. O plano de concentração de informações sobre as polícias civis (PSP, GNR, PJ e SEF) e os serviços de espionagem (SIED e SIS) são o exemplo cabal do que qualquer estadista influenciado pelo lado negativo de “1984″ sonharia. Em Portugal, um país democrático, o homem sonhou e a obra nasceu. Talvez guiado pela divisa do SIED, “Adivinhar Perigos e Evitallos” (excerto do canto VIII 89 dos Lusíadas), exactamente assim em caracteres góticos, seja esta a sua nobre preocupação. Aliás tal não poderia ser de outra forma! Para que é que precisamos disto? Para cruzar informações, dizem alguns, e portanto nesse sentido evitar desperdiçar sinergias, obtendo-se maior eficácia. Isto é uma treta! Não é necessário o governo imiscuir-se para que de repente tudo comece a funcionar bem. Muito antes pelo contrário! Quem é que vai filtrar a informação? De que forma é que os cidadãos verão protegidos os seus mais elementares direitos como a privacidade, agora que de repente o seu governo passará a ter acesso, se bem entender, a tudo o que diga respeito à sua vida? E o papel do Ministério Público no meio disto tudo? Passam a ser o quê? Colaboracionistas do regime? Talvez agendando em conjunto reuniões com alguma figura do governo e em conjunto decidam o que fazer a seguir… E se de repente aparece na teia desta cadeia de informação e espionagem alguém próximo deste governo? Que se fará nesse caso? A política de investigação criminal do M.P. e a sua independência estarão obviamente postas em causa. Apesar de ser uma instituição híbrida relativamente à sua génese a confusão agora adensa-se por não sabermos de que forma actuarão e articularão a partilha de informações. A politização do M.P. é um facto indesmentível.

Perigará a democracia? Não sei… mas que neste momento estão a ser fornecidos todo o tipo de instrumentos para que venha rapidamente a ser ameaçada… ai isso sem dúvida! Assustador no mínimo.

Entretanto, as nomeações continuam. 2.373 pessoas nomeadas, o que corresponde 4,5 por cada dia útil, sem descontar os feriados!

Nota: estou estupefacto pelos acontecimentos decorridos no último Conselho Nacional do CDS/PP! Então não é que eles também dizem “filha da puta!”. Incrível… onde é que isto vai parar.

Posted by Germano Amorim at 13:14:34 | Permalink | Comments (4)

Thursday, March 15, 2007

Que se passa PSD?

O PSD encontra-se à deriva. Atravessa uma das suas piores crises de sempre. Os últimos acontecimentos e dislates não podem deixar indiferentes os seus militantes, senão vejamos: o fim da militância de José Miguel Júdice e a sua entrevista no semanário Expresso. Nesta, Júdice, traça um retrato sobre o depauperado estado dos partidos políticos portugueses na sua generalidade. Acusa os partidos de afastarem a inteligência através dos habituais esquemas de bastidores mais moldados aos companheiros adaptados à forma de locomoção mais semelhante aos répteis do que propriamente aos homens. Será o darwinismo político no seu expoente máximo a que se refere? Em relação ao partido em particular, diz-nos que o PSD está a atravessar uma grave crise ideológica, não sabendo se o espaço que deve ocupar dever-se á situar mais à esquerda, mais à direita, de forma mais liberal… O facto de nunca ter sido chamado ou ouvido pelo actual líder Marques Mendes, ou melhor dizendo, a indiferença de Mendes perante a sua pessoa também contribui sobremaneira para a sua tomada de decisão. Sentia-se inútil na sua casa e como tal bateu com a porta.

Santana Lopes participou como orador nos estados gerais da direita em Portugal a convite de Manuel Monteiro. Aqui claramente deixou a mensagem de que a breve trecho poderia surgir uma nova força partidária muito graças ao actual estado do partido, bem como aos eventuais combates que se avizinham e que não deixarão pedra sobre pedra! A verdade é uma, Santana foi indubitavelmente muito mal tratado pelos seus pares e talvez esta reacção seja fruto dessa mágoa, porém a sua credibilidade já conheceu melhores dias.

Manuela Ferreira Leite simplesmente achincalhou publicamente Marques Mendes. Aquando da sua proposta para a breve prazo o governo baixar os impostos, Leite derramou a acusação gravíssima de que tal despautério apenas se poderia dever a movimentos de bastidores partidários com intuito de alcançar protagonismo. Inadmissível esta reacção perfeitamente desleal! Mas, olhando para trás nada que não provoque umas certas risadinhas. Mendes é que pode bem chorar sobre o Leite azedo derramado, apesar de adiantar pouco…

Ainda nesta senda, de que algo vai mal no reino da Laranja, Ana Gomes, revelou há pouco tempo em entrevista, de que Durão Barroso ter-lhe-ia dito que os partidos políticos são apenas instrumentos para chegarmos ao poder. Não é de todo surpreendente se admitirmos os resquícios ideológicos pragmáticos maoístas em que Durão acreditava. Durão ao abandonar as suas funções governativas pouco se importou com os destinos do país e do seu partido. Preferiu rapidamente entregar, qual presente envenenado, a um deslumbrado Santana a pasta do poder. Um homem que expôs o país à tanga ou que nos deu a todos uma grande tanga!

Finalizando, o PSD nas suas bases. Os órgãos eleitos estão decadentes, descrentes e saturados de pessoas que nada têm em comum com o legado daqueles que construíram com base na ideologia social-democrata de Bernstein o mais português dos partidos. O único capaz de entender durante anos a fio as idiossincrasias nacionais e as simbioses que eram necessárias alcançar para que o país progredisse, aliás durante anos a fio, o partido mais progressista em variadíssimas matérias, mas, que infelizmente o tempo tem pregado a partida de congelar esse seu lado reformista transformando-o cada vez mais num partido conservador e incapaz de provocar rupturas. Os poderes instalados passaram a ser aliados do partido quando se exige a este o inverso, que ataque esse mesmo estado de coisas que tão maus resultados têm provocado ao longo dos anos.

O retrato fiel de tudo isto na sua máxima personificação é Marques Mendes, que simultaneamente é vítima dos seus e de si próprio, bem ao estilo de Santana que não teve a habilidade de perceber o quão mal rodeado estava e quão desadequado estava naquele momento no exercício das suas funções.

Partilho do mesmo ponto de vista de Vasco Pulido Valente quanto à ideologia. Buscar os melhores conceitos axiológicos a cada um dos lados e, acrescento, aplicá-los com uma boa dose de pragmatismo, com um bom tempero de sensibilidade social e de compreensão.

 

Posted by Germano Amorim at 19:16:43 | Permalink | Comments (6)

Tuesday, March 13, 2007

De volta…

Agora entendo a necessidade do compromisso. Através de um mero blog e de um longo período de ausência forçado percebi a importância extrema da necessidade de ligação constante, dedicada, por vezes esforçada, por vezes genuinamente sentida, mas, ao longo deste tempo não deixei nunca de pensar em todos. Naqueles que me acompanharam, no que deixei de escrever, no que gostaria de ter escrito, nas críticas que me teceram, nos que nunca leram, nos que eu gostava que tivessem lido. Estranha esta ligação a algo que em nada nos prende a não ser a derradeira satisfação de termos o nosso lugar no mundo. Por mais pequeno que seja, por mais insignificante que pareça a alguns mas que pela sua indiferença já demonstraram exactamente o contrário. Que também viram, que também leram, ou apenas espreitaram, sem coragem de comentar ou sequer dizer adeus. Porque no fundo esses mesmos que tão mal vão dizendo são exactamente os que mesmos que continuarão espreitando sem um dia dizerem nada por nada terem para dizer a não ser o que já foi dito. Assim é fácil e só é possível porque antes de nós já alguém se deu ao trabalho de dizer.

Este compromisso é meu e só meu! E de quem o queira acompanhar…

 

Não poderia deixar de fazer referência a dois acontecimentos que são os seguintes: o primeiro, o grande sinal de vitalidade da sociedade civil arcuense que em massa ocorreu em protesto pelo fecho das urgências. A meu tempo já tinha escrito sobre o assunto e portanto apenas gostaria de fazer referência ao facto de este movimento se ter superiorizado a qualquer intenção egocêntrica de busca do protagonismo. Próprio de uma sociedade não habituada ao mediatismo e a equipas de reportagem. Parabéns arcuenses.

O segundo foi a morte de Manuel Galrinho Bento, “natural da Golegã, em 25 do seis do 48″, tal como repetidamente dizia e diz o meu amigo Francisco e que à sua repetitiva conta acabamos por decorar tal acontecimento.

Bento era e será sempre parte do meu imaginário do mundo do futebol. O seu bigode paternal e a forma inimitavelmente decidida e convicta com que voava em cada lance em busca do seu derradeiro desafio: a bola. Não uma bola qualquer! A bola que não podia expugnar as redes do Glorioso ou da selecção nacional. Aquela que todos nós sonhámos em apanhar porque queríamos ser como ele! O seu temperamento muitas vezes irascível era de certa forma a personificação do português abnegado, duro, pequeno mas com um brio enorme! Só alguém assim teria a coragem de liderar um grupo de autênticos revolucionários capazes de usarem a prerrogativa constitucional do direito à greve em pleno campeonato do mundo!

Adeus Bento… o nosso número 1!

Posted by Germano Amorim at 17:01:33 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, March 8, 2007

Um dia…

Infelizmente parabenizo todas as mulheres pelo seu dia…

Os homens não compreendem o porquê de não termos o nosso dia!

É triste haver um dia…

Significa apenas que da noite ainda não se vislumbra se não o dia…

Aquele que se sonha, aquele que se quer, o ideal de um dia!

Tão perfeito quanto as nossas intenções de um dia não termos mais de lembrar que a mulher teve o seu dia com se os outros não fossem seus.

Que assim seja um dia

Posted by Germano Amorim at 17:24:06 | Permalink | Comments (4)