Thursday, April 26, 2007
Tuesday, April 24, 2007
Liberdade
Liberdade…
A simples possibilidade de escolha
entre o que já fomos e o que queremos ser,
Entre o que temos e o que podemos ter.
Entre a mentira de um arbítrio livre
ou de quem quer que nos prive!
Amordaçados por gargantas
bebendo coca colas!
Ou idolatrando santas…
Presas num altar
religioso ou pagão ou então sequer não!
Viva o 25 de Abril!
Las Brujerias de Nuestros Hermanos
Pina Moura, ex-ministro das Finanças e Economia do tempo de Guterres e antigo administrador da Iberdrola, assumiu funções como administrador do grupo empresarial Media Capital a convite da Prisa. Grupo esse que detem o controlo sobre a TVI entre outros órgão da comunicação social. Um homem que não tem nenhuma experiência administrativa na complexa área do mundo dos mass media, o que obrigatoriamente nos leva a colocar a questão do porquê da sua escolha para o cargo? A resposta foi dada este fim de semana em entrevista no semanário Expresso. Grosso modo, Pina Moura, afirmou que teria aceitado o convite porque estava imanente ao projecto um fundamento ideológico no qual ele se revia. Ou seja, o grupo empresarial escolheu o seu novo administrador não por motivos de competência, acima de tudo, mas, essencialmente alguém que fosse um representante pardo de um determinando estilo político que se quer implementar. De Moura gostaria de referir que pelo menos teve a ombreidade de assumir publicamente com frontalidade que a sua escolha esteve relacionada com motivos ideológico-políticos. Ao menos assim sabemos claramente que quando assistirmos a um noticiário qualquer da TVI sabemos de antemão que será extremamente complexo haver uma notícia crítica em relação a um governo socialista, ou, a dizer bem do PSD. Porém, além desta perniciosa falta de vergonha demonstrada, algo mais complexo se levanta. Porque raio querem os espanhóis imiscuir-se no conteúdo jornalístico português? Qual será o seu móbil essencial? Sabemos que foram uns dos grandes responsáveis pela queda do governo de Aznar por defenderem o PSOE de forma clara. Mas, em Portugal, será que faz sentido esta batalha? Os espanhóis interessados em defender um governo socialista através de um grupo de comunicação social? No mínimo estranho. Gostaríamos todos de saber um dia quais serão as suas reais intenções em relação a Portugal e ao futuro da Península, porém, para já vamos aguardar esperando que o óbvio mais cedo ou mais tarde transpareça. Mas, que no creo en brujas, pero que las hay, las hay!
Relativamente ao Governo, nenhuma novidade face ao que tenho dito ao longo dos meses. A tentacular forma de exercício do poder não é alheia a tudo isto. É apenas mais um passo para obter os mais elevados índices de manipulação permitidos num sistema que cada vez mais aparenta ser democrático em muito aspectos.
Do ponto de vista puramente jornalístico muito vai mudar a partir de hoje. A ver vamos se em Portugal se ganha a tradição de cada jornal ou televisão assumir politicamente de forma aberta as suas preferências políticas. O estilo norte americano que já tem bastantes repercussores na Europa chegou ao nosso burgo. A título de exemplo, ainda que não assumido de forma expressa mas por demais evidente, o semanário Independente, sobreviveu com o anti-cavaquismo primário de Portas durante uns largos anos. Os leitores socialistas eram ávidos dos escritos de Portas. Mal Cavaco saiu, o Independente deixou de ter tema e os resultados foram apenas e só a extinção do semanário. Curiosa será também a posição dos outros órgãos de comunicação social portugueses face a esta investida de nuestros hermanos? Será que vão atacar de forma mais veemente o tesouro da TVI? Muito interessante esta fase do novo jornalismo em Portugal.
Monday, April 23, 2007
Boris
Morreu hoje Boris Ieltsin. Da nossa memória apenas a lembrança dos seus desvarios embebidos, diz-se, em grande quantidade de vodka. E que bem nos fazia a todos assistir às tropelias russas protagonizadas pelo seu primeiro presidente eleito pós Perestroika e de toda a história da Rússia! Foi em 1991, no mesmo ano em que houve uma tentativa para derrubar Gorbachev do poder e ao qual ele se opôs com firmeza digna de um presidente que viria a ser. O coração pregou-lhe hoje uma última partida. Sentiremos a sua saudade e nada melhor do que recordar um dos seus momentos de espontaneidade e perfeitamente politicamente incorrectos! E que falta fazem os politicamente incorrectos…
http://www.youtube.com/watch?v=Q5FIoocja4k
P.S. Era formado em engenharia civil, mas, consta-se que não na Independente…
Reflexo
Friday, April 20, 2007
Anacoreta…
Mais uma semana a terminar e nem tudo é mau na vida…
Bom fim de semana !
Thursday, April 19, 2007
Sarkolène
As eleições em França são o paradigmático sinal do talvez último despertar da mulher para a sua derradeira emancipação. Não por ser novo, vejamos os casos alemão, finlandês, irlandês e o surpreendente caso africano da Libéria onde Ellen Johnson-Sirleaf obteve uma vitória sobre o ultra mediático George Weah.
Na França, bem como nos Estados Unidos temos duas possíveis vencedoras às eleições presidenciais. Porém, para Segolène, ao contrário de Hillary, parece bastar o simples facto de ser mulher, aliado ao sempre bem vindo preconceito de que ser de esquerda é “fixe”, para que desde há muito possa exibir-se como a candidata vencedora. Pouco há a saber sobre o saber da candidata. De facto, é uma figura controversa por constantemente adoptar posturas conservadoras em relação a muitos assuntos sociais, principalmente no que respeita aos valores tradicionais sobre a família e à rejeição permanente de qualquer tipo de manifestação de índole sexual, tendo até inclusive lhe valido a alcunha de mère pudeur. Do outro lado temos Sarkozy, que a saber também se sabe pouco sobre o seu pensamento, a não ser também acerca do seu estilo autoritário e as suas polémicas intervenções aquando dos tumultos últimos que assolaram França. De um lado ou de outro impera um quase vazio assente em duas imagens preconcebidas e talvez bem mais próximas do que julgaremos. O retrato real da política de hoje. Constroem-se bonecos com determinadas cores e chavões ficando secundarizado se o seu pensamento doutrinário vá corresponder ou não com as suas práticas. Porém, neste momento Sarkozy é neste momento o boneco melhor posicionado e capaz de chamar a si um eleitorado tradicional de direita que se revê nas suas posições, fragilizando dessa forma Le Pen. Bayrou será um osso muito mais duro de roer neste momento para Ségolène, bem como a disseminação generalizada de votos nas várias esquerdas que far-se-á sentir de forma mais significativa.
Na junção dos dois talvez conseguíssemos observar uma candidatura mais verdadeira e próxima do pragmatismo actual de fazer política. Seria uma espécie de Sarkolène que juntaria decomplexadamente direita e esquerda e portanto permitiria uma maior sinceridade nas opiniões. Talvez até houvesse propostas e discutissem ideias com outras candidaturas bem nos extremos!
A ver vamos se nos EUA a história repetir-se-á com o Giuliani e Clinton que saibamos nós nem sequer toca saxofone!
P.S. Cho Seung-Hui’s é o nome da besta responsável pelo massacre na Virgínia. Um país tão admirável quanto abominável que continua a permitir o livre acesso a qualquer tipo de armas de forma perfeitamente irresponsável! O proteccionismo ao lóbi das armas terá que um dia terminar sob pena de continuar um tipo de sub cultura bélica e paranóica com tendência à proliferação e nos últimos tempos com os resultados que estão à vista de todos.
Friday, April 13, 2007
Fim de semana
De uma esplanada qualquer contemplo o meu fim de dia…
E o fim de dia de todos que contemplam as suas sombras.
Da semana apenas fica cansaço quotidiano
dos que esperam e desesperam pela solução de suas vidas.
Que bem sabe estar sentado na cadeira vazia de qualquer poder
e olhar… vazio… sem nada para fazer!
Apenas pedir um fino que refresca a goela,
tantas vezes degolada pelos homens que apenas querem o reverente silêncio.
Thursday, April 12, 2007
Bananas
Ontem fui matricular-me numa qualquer faculdade de Medicina. No quinto ano. Aquando do momento da entrega obrigatória do meu certificado de habilitações, dado lá não ter iniciado a minha licenciatura, disse aos simpáticos e prestáveis funcionários administrativos que me haviam atendido que não dispunha, no momento, de tal documentação. Amavelmente e com uma prontidão tipo Simplex, ao bom estilo das intenções governamentais, foi-me dito que não haveria problema algum! Num dia qualquer poderia por lá passar e entregar os papéizinhos necessários para que se procedesse à devida regularização administrativa da situação.
Assim foi e fiz. Dei início aos estudos e passado sensivelmente um ano fui entregar o meu certificado de habilitações que por incúria do meu anterior estabelecimento de ensino universitário não tinha sido feito na altura devida. Mais uma vez fiquei sensibilizado com a simpatia e compreensão demonstradas e prontamente foram aceites todos os certificados. Passado algum tempo tinha a minha licenciatura concluída. Para isso muito tinha contribuído o Professor X que curiosamente e talvez para que eu obtivesse o mais alto rendimento possível, seria meu docente responsável por quatro das minhas cinco cadeiras! Nunca tinha travado qualquer tipo de conhecimento com esse fantástico homem ao qual tanto devo enquanto discente! Porque nunca o tinha conhecido em toda a minha vida! Curiosamente, viria mais tarde a descobrir que tinha entretanto feito parte de dois governos aos quais eu também tinha pertencido. Apesar de licenciado, usava em termos curriculares o título de médico, apesar de não estar devidamente inscrito na Ordem dos Médicos. Isto apenas pelo costume social que me induziu a ceder a essa facilitadora tentação. Subitamente, tendo entretanto enveredado pela carreira política, alguns malfeitores ter-se-iam encarregado de denegrir a minha imagem usando exactamente alguns destes episódios anteriormente descritos. De repente tudo se torna um pesadelo! Agora que era primeiro-ministro na República das Bananas vinham alguns malfeitores pôr em causa este incólume passado académico. Que país tão mesquinho que com tais miudezas se preocupam…
Um pouco desorientado com toda a situação entretanto gerada e pasmo de inocência, decido pôr todos os assessores disponíveis, e eu pessoalmente, a ligarem para tudo que era imprensa no sentido de esclarecer todo este imbróglio. Era a vítima de grupo de conspiradores não facilmente identificáveis. A oposição não seria porque alguns dos líderes partidários e outras figuras de proa tinham lá sido docentes e portanto conhecedores da qualidade do ensino lá proferido. Seria com certeza esse estranho mundo da blogosfera que havia urdido tal teia tão bem montada. Esse mundo que escapa aos ditames do controlo das pressões porque inteiramente livre e de acesso quase puramente democrático. Aliás, até alguns ministros meus no exercício das suas funções deram início a essa actividade. Decido então ao fim de longos quinze dias de desorientação dar uma escorreita entrevista em que benemeritamente haveria de esclarecer todos os bananenses (habitantes da república das bananas) de que tudo não passava de uma cabala contra a figura do Primeiro! Recordei-me então de um ex presidente de um famosíssimo clube de futebol que também um dia acicatado com problemas relacionados com a verdade, se havia munido de um conjunto de papéis que televisivamente mostrara como estratégia para contornar tal situação. Nada mais eficaz para atestar a nossa credibilidade de que um conjunto de papelada! A entrevista correra muito bem. Tal como os funcionários da dita universidade, também estes jornalistas foram compreensivos e nada pressionantes.
Entretanto, subitamente, acordei e com o som estridente do despertador percebi que tudo não passava de um sonho…
P.S. a coincidência desta viagem onírica e a pura realidade poderão não ser mera coincidência, porque como bem sabemos, a realidade ultrapassa sempre a ficção.
Wednesday, April 11, 2007
Destino
que Daqui cheguei,
Dali que parti.
Tantas vezes certo de um regresso anunciado
por trilhos de comboio soltos como notas numa orquestra desafinada
esperando encontrar o seu tom, a sua música!
O seu caminho torto como a certeza de um amor
que nas costas fui deixando
embalado pelas carruagens cómodas certas e pendulares,
tais como as certezas da vida…
Essas que se fazem sentir em cada mudança
daquele suave solavanco que nos faz embalar
certos de um dia que dali saímos e a algum lado havemos de chegar!



