Quinta-feira, Maio 31, 2007

Construção

lágrimas de pedra não sabem a sallágrimas de pedra não sabem a sallágrimas de pedra não sabem a sallágrimas de pedra não sabem a sallágrimas de pedra não sabem a sallágrimas de pedra não sabem a sal

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

 

Publicado por Germano Amorim em 18:28:41 | Permalink | Comentários (10)

Venezuela fechada a Chávez e outros acontecimentos de relevo…

O presidente venezuelano ao bom estilo de caudillo típico da américa do sul, resolveu não renovar a licença de emissão de um canal de televisão privado, de seu nome RCTV. Ora, este comportamento é absolutamente indesculpável, absolutamente contrário às regras de uma normal convivência entre os sectores da economia, o que evidencia em absoluto o total desprezo pela democracia e a liberdade de expressão! Não é novidade nenhuma que o caminho, desde há muito se via, seria o de lentamente introduzir as regras ditatoriais que levassem a uma espécie de totalitarismo de inspiração castrista. Só os desatentos, apegados ainda e sempre, à boa fé do homem de esquerda, poderiam dizer o contrário. A paranóia do homem não acaba aqui. Já ontem surgiram notícias de um novo encerramento de outro canal televisivo, este agora sob suspeita de incitar ao magnicídio do próprio! De recordar que Chávez é um habitué conviva do canal televisivo estatal, sempre que este entende usar o meio para fazer a propaganda do seu governo, moda que aliás já se alastrou ao governo de Tegucigalpa. Contra este comportamentos manifestaram- se milhares de pessoas nas ruas, destacando a detenção de três luso-venezuelanos, os quais eu gostaria de congratular e demonstrar toda a minha solidariedade e que acima de tudo sirva de exemplo aos hondurenhos, a todos que devem lutar pela liberdade não deixando o país fechado a Chávez. “Há sempre alguém que resiste…, há sempre alguém que diz não!”

Vem-me de repente à memória o cartaz de Sócrates usado por Chávez… Mas Chávez aprendeu mal a lição. Aqui os canais privados são dominados por projectos de índole ideológica através das regras do puro capitalismo. Tem muito que aprender!

 

No nosso burgo,as novidades até que são boas. Afinal o deserto da margem sul é povoado e até já tem camelos autênticos! Parabéns à JSD pela iniciativa. Demonstrou que em conjunto com Mário Lino já podemos organizar uma cáfila e quem sabe até, se o aeroporto fosse na margem sul, organizar excursões turísticas do aeroporto até Lisboa!  Porém as suspeitas que comportamento tão tipicamente islâmico poderia levantar, poderiam originar atentados terríveis! Almeida Santos lá saberá do que fala…

Este seria o metro para sul:

 

O nosso primeiro está na Rússia e até já corre com russos! Os cartazes do Allgarve já estão em uso numa zona pertíssimo da Praça Vermelha. Manuel Pinho feliz, tenta minimizar os despedimentos, conforme o prometido, na fábrica Delphi na Guarda e já conseguiu garantir perante investidores russos a fórmula que fará esquecer todos os problemas! Uma caixa de garrafas de vodka para cada um dos trabalhadores despedidos!

 

Mudando de assunto, o bispo de Aveiro, aproveitando o pior momento da governação socialista que até ao momento assistimos - tenham calma que o drama adensar-se-á - resolveu atacar a maçonaria, dizendo que esta estava ligada ao actual governo! A maçonaria em Portugal foi ditada ao ostracismo durante toda a época do estado novo em Portugal, tendo o mesmo sucedido em outros países que eram dominados por ditaduras. Entende-se porquê! Alguém que defende princípios tão lineares como a liberdade, igualdade e fraternidade, não têm nunca espaço em sociedades dominadas pelo terror. Nos últimos tempos têm vindo a lume várias notícias positivas sobre maçonaria, o que evidentemente faz jus à sua imagem. Isto incomodará muitos como é óbvio. Certa igreja vê na maçonaria o inimigo, mas, tal entendimento já não será de todo aplicável aos negócios religiosos que continuam a alastrar por território lusitano, como é o último exemplo do Museu da Irmã Lúcia. Mas o que justificará existência de um museu de Lúcia? Quais serão os objectos de tão especial importância que uma irmã carmelita teria deixado ao mundo que justifiquem só por si a criação de um museu? Ninguém se interroga sobre tais matérias?

 

Sobre o caso Madeleine, apenas gostaria de referir o seguinte dado. Na Grã-Bretanha há anualmente entre 70 a 100 mil crianças desaparecidas. Em Portugal esses casos rondam os mil por ano. 

Publicado por Germano Amorim em 01:37:25 | Permalink | Comentários (7)