Prometera a mim mesmo não escrever sobre o aeroporto da Ota, que, afinal, poderá ser de Alcochete. Não porque o assunto não me mereça o interesse, que, insistentemente, a comunicação social nos obriga a recordar, por insistência de uma agenda política que nos quer passar a mensagem de que este é um dos grandes desígnios nacionais das últimas décadas, mas, por simplesmente não ter os conhecimentos técnicos necessários para avalizar sobre a avaliação feita sobre o local onde será construído. De facto, parecer-nos-á lógico e razoável dotar Portugal de um novo aeroporto com aumento de capacidade do tráfego aéreo, com uma estrutura mais modernizada, de acordo com as reais necessidades do país de hoje e de um mundo globalizado. Nada a opôr. Parecer-nos-á normal que assim se deseje e assim se faça. Não será é normal, o facto de nos quererem fazer passar a ideia de que esta obra será uma espécie de pista de descolagem de Portugal para outros vôos, como se de repente, de um Bombardier que somos ao levantar, passarmos a ostentar um título com a magnitude um Airbus A 380 em pleno vôo! Houve, de facto, nos últimos dias, algumas opiniões sensatas, que mereceram a minha atenção, mas, que aqui não vou reproduzir. A mim o que me preocupa como cidadão português é que esta obra seja realizada de forma eficaz, barata, segura e que respeite as mais e menos elementares regras sobre meio ambiente. Para isso, apesar de ser quase absolutamente crítico perante este governo, acredito que os eleitos tenham a sensatez de fazer as melhores opções para o país. O problema, repito, não é a montante, porque esse apenas o tempo poderia encarregar-se de revelar. É sim a jusante. De repente o país deixou novamente de discutir e de pensar, se é que isso tem sido feito ao longo de alguns anos, e apenas o que conta é este espectáculo! Este aeroporto só efectivamente serviu, para já, para nos pôr a todos com a cabeça no ar. E a maioria dos portugueses também não terá outra possibilidade de pôr a cabeça no ar de outra forma, a não ser que vão a um qualquer género de feira popular.
Cavaco na comemoração do 10 de Junho recordou a vocação atlântica de Portugal. Defendeu que o mar será novamente a nossa salvação. Concordo em absoluto com tais afirmações, aliás, parece que até a natureza insistentemente nos tem feito recordar disso mesmo. O avanço das águas do mar não mais parece do que uma chamada para que novamente a sua notoriedade se torne merecida para este jardim à beira mar plantado. O aproveitamento das pescas, da investigação tecnológica, principalmente a nível biológico e energético, deveriam ser compreendidos como prioridades máximas. Conhecemos mais do espaço do que do próprio mar.
De referir que Cavaco foi aplaudido, Sócrates assobiado…