Friday, June 29, 2007

Saldanha Sanches e a Bola Branca

Não, não se trata do famoso programa radiofónico da Rádio Renascença que anuncia contratações futebolísticas. Trata-se, tão somente, da trama das bolas com que o famoso contestatário Professor Saldanha Sanches foi brindado. Segundo o próprio, passando a citar, “O júri passou ao lado do que apresentei. Não tinham suficiente conhecimento para discutir a minha tese” (in Correio da Manhã,http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=248157&idselect=10&idCanal=10&p=200).Ora, cá está, o que o mais vulgar dos alunos sente ao longo da sua carreira académica! Finalmente um Professor sentiu na pele a injustiça de um júri que não percebe nada do que estamos para ali a dizer. Como ex-aluno dessa casa e seu antigo aluno, a minha sincera solidariedade. Já agora, como também ainda restam muitas dúvidas sobre quem foram os homens que retiraram as bolas pretas do saco, proponho um exercício muito giro! Neste quadro, vamos tentar ajudar o Professor Sanches a descobrir as bolas pretas! Vamos?

É caso para dizer que ficou bem preso pelas bolas!

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Thursday, June 28, 2007

A igualdade do casamento religioso

  
Sírios árabes

O Governo aprovou hoje a abertura da celebração de casamentos religiosos, com efeitos civis, a comunidades religiosas radicadas em Portugal há mais de 30 anos, acabando dessa forma com o autêntico monopólio que era detido pela igreja católica. Nem tudo são más notícias. Isto é apenas o reconhecimento de um acto da mais elementar justiça para as confissões religiosas que de certa forma estão enraízadas no nosso país e que por esse facto não poderiam continuar a ser alvo de descriminação face à religião dominante. A tolerância deste acto é louvável, apesar de tardia, mas, mais vale tarde do que nunca!

Posted by Germano Amorim at 18:57:31 | Permalink | Comments (2)

Ministros fora de prazo

Que fazer a ministros fora de prazo? Pertinente esta questão, ainda mais, pela sua difícil solução. Dar aos pobres? Não. Já chega a crueldade a que as circunstâncias da vida ditaram seres humanos que constantemente se sujeitam à humilhação de uma vida sem dignidade. Estarem ainda sujeitos a um complemento extra de ministros irónicos e soturnos seria apenas uma forma de agravar a sua miserabilidade. Então que fazer? Continuar a aturar os constantes e repetitivos despautérios daqueles que dizem e imediatamente desdizem o que todos ouviram? Talvez demiti-los seja uma boa escolha. De momento a minha imaginação não me permite encontrar outra solução que não essa. Sei que é absurda, mas, à falta de melhor peçamos o alcançável. Ou, talvez, fechar as suas descuidadas bocas com uma correia e criar campos destinados a uma redenção, a uma catarse libertadora. Talvez se apercebam, por exemplo, que estão a destruir lenta e gradualmente o serviço nacional de saúde e todos os direitos próprios de um compromisso social alargado que se obteve num tão propalado mês de Abril, que tão bem cai e se usa em dircursos comemorativos. Este governo tem revelado uma perpétua vontade em destruir tudo o que dizem historicamente ter alcançado. Sintomáticos os contantes comentários proferidos por vários dos seus executores. Portugal vive um momento perfeitamente absurdo em termos de modelo político. Por um lado, o well fare state, apenas serve para manter as absurdas contribuições fiscais a que, a todos os níveis, estamos sujeitos, por outro, o liberalismo económico para os mais fortes, o que apenas pode contribuir para para acentuar o fosso entre ricos e pobres que só agrava as desigualdades num estado já de si depauperado e sem recursos. Tenham vergonha e assumam-se de vez como autênticos liberais adeptos do laissez faire, laissez passer, a não ser para quem pode menos a que cada vez mais sacrifícios vão sendo exigidos. Um verdadeiro estado de hipocrisia nacional está instalado e apenas os fazedores de opinião vão contrariando este movimento. Gostaria de ver determinados episódios que ultimamente se passam se o governo fosse de outra cor partidária. Cairia o Carmo e a Trindade. Não há praticamente referência nenhuma ao que Correia de Campos, ontem, de forma absolutamente boçal, disse, a não ser na perspectiva de apresentação do problema já com a solução ao alcance, ou seja, com o devido esclarecimento. Lamentável…

Por acaso tive a oportunidade de ouvir o noticiário da TSF das 4:00 e retirar as minhas próprias ilações.

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Wednesday, June 27, 2007

Nota: abandonei o projecto de nome sexo puro e duro por uns dias. Tenho que rever alguns dos critérios. Logo darei notícias.

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No Portugal profundo

caricatura - Nova versão WindowsNo Portugal Profundo, na Província e mesmo no litoral da blogosfera muito se tem falado sobre o nosso Primeiro. A sua obsessão desmesurada pela tentativa totalitária do controlo de poder, já o disse e repito, sem medo de represálias de qualquer espécie, é um facto indubitável e agora também indisfarçável. Não é de agora que o nosso Primeiro usa as regras da amedrontação através da instauração de um qualquer processo, seja crime, seja cível, afirmando-se vilipendiado, difamado, ultrajado e todos os demais adjectivos que juridicamente são facilmente encaixáveis no articulado. Vivemos numa sociedade democrática e temos que saber aceitar que há legitimidade por parte da escolha do seu caminho jurídico. Mas como à boa maneira socrática nós apenas sabemos que nada sabemos, seria de todo aconselhável que o caminho fosse outro. O caminho do devido esclarecimento e, talvez, quem sabe, um certo arrependimento através de uma espécie de um mea culpa parte dois. Ou, por acaso acha, sr. Primeiro-ministro, que não teria de se sentir difamado e propor a respectiva queixa contra toda uma nação? Não se convença disso! Aliás, considero até, que, o senhor se tornou uma espécie de Robin Hood do ensino em Portugal. Alegadamente, “roubou” uma licenciatura para ser o nosso Primeiro e ajudar os pobres portugueses a sairem da miséria! O senhor com este gesto acabou por ser mais aclamado do que censurado, porque lá no fundo, bem lá no fundo, se a grande maioria dos portugueses tivesse ajudas de uns professores, que o senhor, por exemplo, diz desconhecer e esses mesmos professores dessem um “jeitinho” técnico, fariam exactamente o mesmo de forma despudorada e certamente dando o mesmo toque de requinte enviando um exame escrito acompanhado de um respectivo cartãozinho que anunciava o seu estadão… Por exemplo, Secretário de Estado do Ambiente! Que tal? Isto seria classe pura. Acha que alguém está convencido das frágeis explicações que deu numa mensagem ao país, entrevistado por dois profissionais do jornalismo que mais pareciam uns branqueadores de opinião e imediatamente apoiados por um grupo de sequazes opinion makers (penso que seria mais adequado opinion bakers, dada a forma como cozinham a opinião) que imediatamente a seguir nos lembraram de que fulano, beltrano e sicrano não eram licenciados e chegaram muito longe! Nós é que somos uns provincianos por dar crédito a essa gente.

Em resposta a tudo isto, António Balbino Caldeira, autor do blog Do Portugal Profundo, respondeu com a mesma moeda apresentando uma queixa por denúncia caluniosa e outra por difamação. A ele apenas quero desejar boa sorte e tudo de bom!

P.S. fotografia tirada após o cross da praça Vermelha, antes de se reunir com Putin, vestidinho com a camisinha de alças oferecida por Bill.

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Tuesday, June 26, 2007

Raiva

 

  

Raiva de ser assim e de não ser como é!

Raiva! Dentro de mim ao murro e pontapé!

Raiva dos outros! Do mundo!

Raiva que não se solta!

Raiva presa cá do fundo!

 

 

 

Raiva de ti… desta, da outra,

Da vida que não tive!

Raiva de quem morreu!

Raiva de quem vive!

 

 

 

Raiva daquele sítio e do outro lugar

Raiva! Vontade de matar!

De ver sangue perante mim,

Uma guerra a deflagrar!

 

 

 

Corpos estropiados

Por longos facões aguçados

Cabeças desfeitas por tiros bem ou mal dados!

Miolos pelo chão retirados de um crânio totalmente aberto atrás!

Feito por um pequeno e insignificante buraquinho de uma bala suicida

Que suja as paredes brancas de sangue quente e vermelho de um rapaz…

 

 

 

Raiva por desatinar!

Raiva por escrever isto e nem sequer simpatizar.

Raiva pela incompreensão, pelos braços pendurados,

Com os ossos rasgados

Pelos ossos partidos que nos tornam disformes!

 

 

 

Pelos choques eléctricos mal dados!

Raiva pelas brincadeiras que então não se fizeram!

Raiva por quem não viu os tempos desperdiçados!

Raiva de um braço de ferro interminável que nos deram.

 

 

 

Raiva dos movimentos condicionados

Por pernas amputadas em exercícios mal executados!

Das granadas que estouram das normais ou de dispersão

Raiva disto tudo!

Raiva é a conclusão!

 

 

 

Raiva da droga de vida!

Raiva de bolhas castanhas correndo em pratas!

Do rasto de morte que deixam para trás e que tu não matas!

Raiva de quem tem sida!

Raiva de quem não teve cuidado e ficou contaminado…

 

 

 

E assim este verso se dá por finado,

Na esperança de amanhã tudo ter melhorado

Com menos raiva…

Ou mesmo hoje se houver alguém que ajude e saiba!

Posted by Germano Amorim at 22:36:30 | Permalink | No Comments »

Tuesday, June 19, 2007

Sexo puro e duro!

É extremamente complexo nos dias que passam, imagino que também o seria nos dias que um dia passaram, fazer com que as pessoas se interessem por temas que não se relacionem com sexo, futebol, telenovelas, carros, roupas e pouco mais! Vivemos uma época de puro hedonismo em que a busca do prazer imediato e de assuntos de puro entretenimento nos distraiam ao ponto de nos sentirmos alienados e nada sentirmos. Não pretendo com isto pretensiosamente mover uma crítica, apenas fazer uma constatação. A futilidade faz parte do ser humano até ao fim dos seus dias e é com este pensamento que temos que lidar, não o evitando, mas, assimilando este conceito de forma a encontrarmos nele uma utilidade. A futilidade é necessária para alimentar uma vaidade que todos nós cultivamos de forma mais ou menos aparente. Seja através da ostentação de grandes carros e diamantes, seja, do agricultor que com orgulho exibe os seus grandes e suculentos tomates que forma premiados numa qualquer exposição agrícola. Cada um de nós exibe o que pode e isso é um certo reflexo da auto-estima que cada indivíduo possui, porém, essa necessidade de busca da emoção de um certo exibicionismo, não deverá ser confundida em si, como o fim último das coisas. Aqui é que reside o problema. A axiologia, ética e a gnosiologia são abandonadas precocemente, nunca chegando sequer a fazer parte do nosso rol de preocupações. Faleceu recentemente Richard Rorty, filósofo norte-americano, e o seu legado de pensamento fez com que suscitasse em mim uma busca de novas formas de linguagem e forma de como estas se relacionam. Há novas formas de estar, de pensar, de ver e por vezes não sabemos exactamente acompanhá-las e, pior ainda, quando o constatamos, nada sabemos o que fazer com esses conceitos, principalmente porque julgávamos que nós é que detínhamos de certa forma a verdade. A verdade está em cada um de nós. Bem, deixando um pouco a divagação pseudo filiosófica para trás, o que eu hoje proponho, exactamente para provar parte do meu ponto de vista, aqui exposto, é realizar uma pequena experiência que consistirá em, de seguida, e no dia seguinte, ou seja, amanhã, introduzir certas palavras chave que são as mais procuradas na internet e verificar se o número de visitas a este blog chato e maçudo, aumentou exponencialmente. Portanto, hoje, a acompanhar esta reflexão está um título em nada condizente com o tema, bem como as seguintes palavras, termos, ou, nomes:

Paris Hilton:    Escândalo sexual:

Kamasutra:    Sexo anal:     Sexo oral:

Vibradores:   

Benfica contrata Micolli:  

Carolina Salgado e Pinto da Costa:   

Morangos com açúcar:

José Mourinho pontapeia a sua cadelinha Yorkshire:     

 

 A ver o que isto dá!

 

Posted by Germano Amorim at 17:18:40 | Permalink | Comments (9)

Monday, June 18, 2007

Algumas breves considerações de início de semana que à segunda feira parece sempre muito longa!

Começa ser complicado escolher critérios de edição para este blog. Sinceramente, por vezes sinto-me completamente à deriva entre o que se vai dizendo neste país e o que se vai deixando de fazer. A chorrilhada de disparates, a incongruência e as várias incoerências, vão-nos dando motivos de sobra para reflectir sobre o seguinte, será que a ausência de calor neste fim de primavera, estará a originar uma espécie de silly season precoce? Confesso que detesto a pomposidade do estrangeirismo aplicado para se referir ao que no fundo cada vez mais vai sendo o nosso estado habitual, mas, que é eficaz , ai isso é! Se não, vejamos, entre insultos e proliferação de piadas de mau gosto, Mário Lino, refutava até há bem pouco tempo, qualquer possibilidade de construção do novo aeroporto que não fosse na Ota. No deserto da margem sul “jamais, jamais, jamais!”, afirmava convicto. Hoje já vem afirmar que está disposto a ouvir e analisar qualquer estudo sobre a nova localização, inclusivé, consta-se, um novo projecto nas Minas da Panasqueira, no concelho da Covilhã! E lá vamos andando… Mais estudo, menos estudo, tudo continuará igual, pelo menos a nível de verticalidade do discurso que está pelas ruas da horizontalidade rasteirinha… A paciência para a falta de política do burgo é cada vez menor.

Imagem capilar desértica de Mário lino. Uma boa pista…

Por isso, passemos a casos bem mais interessantes, como o Irão. O vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mehdi Mostafavi, afirmou hoje que o novo governo palestiniano não respeita a democracia. Etimologicamente, será extremamente complexo nós podermos daqui aferir que esta afirmação é incorrecta. Demokratia, palavra grega, derivativo da junção de demo, que significa povo, e kratos que significa poder. A ciência política apresenta-nos um manancial infindo de possibilidades de exercício do poder de forma a que se possa em última análise afirmar que há democracia! Pode é não existir liberdade, dignidade, igualdade, etc. Isso é pouco relevante quando comparado à força do uso da palavra Democracia! Porque esta cada vez mais se toma a xarope. O movimento radical da Fatah é que é o verdadeiro exemplo de uso de poder de forma democrática, pelo menos para o governo de Ahmadinejad, o mesmo que recentemente criticou a condecoração de Salman Rushdie, levada a cabo por Isabel II. O mesmo Rushdie, que ainda hoje não pode regressar ao seu país ou ser um cidadão livre, apenas, por ter cometido o grave pecado de ter escrito o livro “Versículos Satânicos”. Um homem que livremente expressou o seu pensamento de forma laica e que foi condenado a uma fatwa em 1989 pelo então ayatollah Khomeini. A apostatia praticada é imperdoável para quem vem agora mostrar a sua preocupação com a democracia na Palestina, que nada tem a ver com Israel e ter um estado fantoche disfarçador dos seus reais intentos, não! Um verdadeiro acto de islamofobia! Consideram. Eu é que já não tenho a mínima paciência para estes hipócritas religiosos! Que, por mero acaso, e depois de ler o seu último artigo, me recorda de imediato João César das Neves! A sua visão do mundo e das teorias da conspiração que grassam para acabar com o cristianismo, são fascinantes! Entramos num admirável mundo novo bem ao estilo Dan Brown, que ele tanto critica. Anjos e Demónios, este é o mundo de Neves, mas, aí, Brown, dá uma grande vitória à igreja católica, porém, nem assim o espírito inquisitório das Neves perdoaria. Um autêntico diabo à solta. Tenham muito cuidado! Eles andam aí!

P.S. como benfiquista, aconselho a todos que detêm as suas acções como uma espécie de recordação, a venderem! Apenas estarão a fazer funcionar a economia e a ajudar o clube. Isto é uma S.A. e é assim que as coisas funcionam numa economia de mercado, apesar da invulgaridade de uma OPA a um clube de futebol. Mas, no fundo, mesmo os não benfiquistas, sabem no seu fundo, que, estamos perante algo maior que um simples clube de futebol.

http://www.negocios.pt/default.html?nocache=1

 

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Thursday, June 14, 2007

Plutocracia de esquerda

 “Não conheço nada mais estúpido que a esquerda”

Esta afirmação foi proferida por José Saramago acerca do estado actual da esquerda. Segundo o próprio: “Já não há governos socialistas ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder”. Nada de mais coerente dito nos últimos anos, pecando apenas por tardio este pensamento. De facto desde há muito que prego que a dita esquerda, de esquerda tem muito pouco, aliás, é curioso que sejam os partidos da dita direita, neste momento, a serem um pouco o travão de algumas propostas da dita esquerda! Neste momento a dita esquerda ousa governar bem mais à direita do que qualquer dita direita governou! Nosso Sócrates e Blair são disso o exemplo crasso. A velha dicotomia esquerda/direita está ultrapassada e só nos seus extremos fará sentido discutir tal divisão, porém, a própria história nos tem ensinado que estes têm muito mais o que os junte do que aquilo que os separa. A forma de exercício do poder político é que efectivamente nos revela o verdadeiro sentido das coisas, do pensamento, da ontologia e axiologia, ou, de todos os seus contrários. Nas democracias actuais, cada vez mais sentido tem nós recordarmos o pragmatismo filosófico como das únicas correntes de pensamento que é adaptável aos dias de hoje e a única que permite averiguar da coerência entre pensamento e praxis. De que adianta pensarmos de uma forma, ou dizermos que pensamos, quando a sua acção é completamente inversa e traidora dessa racionalidade?

 

Saramago disse também que “as democracias contemporâneas não passam de plutocracias”. Apesar de não estar totalmente de acordo com tal pensamento, a verdade é que de lá nos aproximamos. Continuo a acreditar que o capitalismo é a forma mais eficaz de obter riqueza. Adam Smith teve razão ao afirmar que só quando há um interesse pessoal na realização das coisas é que essas mesmas estão sujeitas ao desenvolvimento. É um facto historicamente indesmentível! Porém, o problema residirá não no sistema, mas, o que se faz desse sistema. A deficiente distribuição de riqueza afecta toda a sociedade. Cada vez mais assistimos à concentração de riqueza acumulada nas mãos de cada vez menos e a pobreza cada vez a afectar mais! Vivemos épocas de fausto escandaloso que nem sequer são originais. De facto a História repete-se e não se espantem que um dia vivamos todos épocas de ditaduras absolutistas… Os excessos de alguns têm repercutido efeitos altamente nocivos e perniciosos para toda a Humanidade. Leia-se, estude-se e recorde-se o século XIX e as consequências sociais advindas da revolução industrial e o definhar da sociedade urbana industrializada. Leiam-se os grandes pensadores socialistas de então de Marx a Bakunine. Atente-se às manifestações de grupos anarquistas revolucionários como o “Black Block”, em pleno protesto contra o G8.

Mas, como diria Santayana, “quem esquece os erros do passado está condenado a repeti-los no futuro…”

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Monday, June 11, 2007

Ota de cabeça no ar

Prometera a mim mesmo não escrever sobre o aeroporto da Ota, que, afinal, poderá ser de Alcochete. Não porque o assunto não me mereça o interesse, que, insistentemente, a comunicação social nos obriga a recordar, por insistência de uma agenda política que nos quer passar a mensagem de que este é um dos grandes desígnios nacionais das últimas décadas, mas, por simplesmente não ter os conhecimentos técnicos necessários para avalizar sobre a avaliação feita sobre o local onde será construído. De facto, parecer-nos-á lógico e razoável dotar Portugal de um novo aeroporto com aumento de capacidade do tráfego aéreo, com uma estrutura mais modernizada, de acordo com as reais necessidades do país de hoje e de um mundo globalizado. Nada a opôr. Parecer-nos-á normal que assim se deseje e assim se faça. Não será é normal, o facto de nos quererem fazer passar  a ideia de que esta obra será uma espécie de pista de descolagem de Portugal para outros vôos, como se de repente, de um Bombardier que somos ao levantar, passarmos a ostentar um título com a magnitude um Airbus A 380 em pleno vôo! Houve, de facto, nos últimos dias, algumas opiniões sensatas, que mereceram a minha atenção, mas,  que aqui não vou reproduzir. A mim o que me preocupa como cidadão português é que esta obra seja realizada de forma eficaz, barata, segura e que respeite as mais e menos elementares regras sobre meio ambiente. Para isso, apesar de ser quase absolutamente crítico perante este governo, acredito que os eleitos tenham a sensatez de fazer as melhores opções para o país. O problema, repito, não é a montante, porque esse apenas o tempo poderia encarregar-se de revelar. É sim a jusante. De repente o país deixou novamente de discutir e de pensar, se é que isso tem sido feito ao longo de alguns anos, e apenas o que conta é este espectáculo! Este aeroporto só efectivamente serviu, para já, para nos pôr a todos com a cabeça no ar. E a maioria dos portugueses também não terá outra possibilidade de pôr a cabeça no ar de outra forma, a não ser que vão a um qualquer género de feira popular.

 

Cavaco na comemoração do 10 de Junho recordou a vocação atlântica de Portugal. Defendeu que o mar será novamente a nossa salvação. Concordo em absoluto com tais afirmações, aliás, parece que até a natureza insistentemente nos tem feito recordar disso mesmo. O avanço das águas do mar não mais parece do que uma chamada para que novamente a sua notoriedade se torne merecida para este jardim à beira mar plantado. O aproveitamento das pescas, da investigação tecnológica, principalmente a nível biológico e energético, deveriam ser compreendidos como prioridades máximas. Conhecemos mais do espaço do que do próprio mar.

De referir que Cavaco foi aplaudido, Sócrates assobiado…

Posted by Germano Amorim at 17:14:22 | Permalink | Comments (2)