Sexta-feira, Junho 1, 2007

Criança

       Olhar     Life                nega

Crianças,

com pobreza e abastança,

a cores, a preto e branco

numa barraca, num campo

verde, florido…

Comemorando a existência de um ser tantas vezes sofrido,

sem vontade

analfabeto, esquecido pelas vielas da vida desconfortável

sustentada sob implacáveis placas de zinco,

onde a chuva bate e insistentemente teima em penetrar,

conspurcando seus corpos,

despidos magros frios…

No sossego olham para livros e seus bonecos despidos

os gatafunhos de letras que resistem a ser percebidas!

Pudera… nunca tal nada lhes foi dito, explicado, querido.

Apenas as sombras dos seus corpos com negras reflectem seu estado

e só assim têm a percepção comparando com os outros meninos coloridos

de vidas alegres e mais fáceis

juntos talvez a um computador, playstation, gameboys,

tecnologias!

Dessas que também vão disfarçando ausências,

suprindo afectos, vontades,

carências…

Publicado por Germano Amorim em 15:18:59
Comentários

2 Respostas

  1. Anónimo diz:

    Acabamos de ler o teu poema…
    Talvez, quem sabe, um dia…todas as crianças sejam coloridas.
    O que pensavas quando o escreveste?

    ag

  2. Germano Amorim diz:

    A escrita não é mais do que o reflexo do nosso pensamento, porém, momentos há em que esse processo criativo não é de todo racionalizável, a não ser no momento da sua leitura. Evidentemente, que ao escrever sobre este tema, no dia da criança, mais não queria do que chamar a atenção sobre os muitos problemas relacionadas com estas. Da desigualdade que ainda grassa e da forma cruel de existência a que ainda muitas estão submetidas. Chamar a atenção sobre o materialismo vigente e que de toda a forma não compensa o que realmente é importante na vida. A televisão, o computador, internet, etc, não podem compensar a ausência do afecto. Bem mais grave é, com certeza, o sofrimento daqueles que nada têm. Analfabetos, sem casa, obrigados a ir para a guerra, mutilados para se tornarem pedintes, submetidos a abusos sexuais, escravatura, tortura, desprezo e todas essas realidades que parecem tão longe de nós e que no entanto estão muitas vezes bem mais perto do que julgamos. A solidariedade e a fraternidade são fundamentais nesta batalha.
    Não tenho por hábito comentar posts anónimos, mas, desta vez abri uma excepção. Espero que da próxima se identifiquem porque este blog não está sujeito a qualquer tipo de censura!
    Obrigado.

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