Criança
Crianças,
com pobreza e abastança,
a cores, a preto e branco
numa barraca, num campo
verde, florido…
Comemorando a existência de um ser tantas vezes sofrido,
sem vontade
analfabeto, esquecido pelas vielas da vida desconfortável
sustentada sob implacáveis placas de zinco,
onde a chuva bate e insistentemente teima em penetrar,
conspurcando seus corpos,
despidos magros frios…
No sossego olham para livros e seus bonecos despidos
os gatafunhos de letras que resistem a ser percebidas!
Pudera… nunca tal nada lhes foi dito, explicado, querido.
Apenas as sombras dos seus corpos com negras reflectem seu estado
e só assim têm a percepção comparando com os outros meninos coloridos
de vidas alegres e mais fáceis
juntos talvez a um computador, playstation, gameboys,
tecnologias!
Dessas que também vão disfarçando ausências,
suprindo afectos, vontades,
carências…





Acabamos de ler o teu poema…
Talvez, quem sabe, um dia…todas as crianças sejam coloridas.
O que pensavas quando o escreveste?
ag
A escrita não é mais do que o reflexo do nosso pensamento, porém, momentos há em que esse processo criativo não é de todo racionalizável, a não ser no momento da sua leitura. Evidentemente, que ao escrever sobre este tema, no dia da criança, mais não queria do que chamar a atenção sobre os muitos problemas relacionadas com estas. Da desigualdade que ainda grassa e da forma cruel de existência a que ainda muitas estão submetidas. Chamar a atenção sobre o materialismo vigente e que de toda a forma não compensa o que realmente é importante na vida. A televisão, o computador, internet, etc, não podem compensar a ausência do afecto. Bem mais grave é, com certeza, o sofrimento daqueles que nada têm. Analfabetos, sem casa, obrigados a ir para a guerra, mutilados para se tornarem pedintes, submetidos a abusos sexuais, escravatura, tortura, desprezo e todas essas realidades que parecem tão longe de nós e que no entanto estão muitas vezes bem mais perto do que julgamos. A solidariedade e a fraternidade são fundamentais nesta batalha.
Não tenho por hábito comentar posts anónimos, mas, desta vez abri uma excepção. Espero que da próxima se identifiquem porque este blog não está sujeito a qualquer tipo de censura!
Obrigado.