Terça-feira, Junho 26, 2007
Raiva
Raiva de ser assim e de não ser como é!
Raiva! Dentro de mim ao murro e pontapé!
Raiva dos outros! Do mundo!
Raiva que não se solta!
Raiva presa cá do fundo!
Raiva de ti… desta, da outra,
Da vida que não tive!
Raiva de quem morreu!
Raiva de quem vive!
Raiva daquele sítio e do outro lugar
Raiva! Vontade de matar!
De ver sangue perante mim,
Uma guerra a deflagrar!
Corpos estropiados
Por longos facões aguçados
Cabeças desfeitas por tiros bem ou mal dados!
Miolos pelo chão retirados de um crânio totalmente aberto atrás!
Feito por um pequeno e insignificante buraquinho de uma bala suicida
Que suja as paredes brancas de sangue quente e vermelho de um rapaz…
Raiva por desatinar!
Raiva por escrever isto e nem sequer simpatizar.
Raiva pela incompreensão, pelos braços pendurados,
Com os ossos rasgados
Pelos ossos partidos que nos tornam disformes!
Pelos choques eléctricos mal dados!
Raiva pelas brincadeiras que então não se fizeram!
Raiva por quem não viu os tempos desperdiçados!
Raiva de um braço de ferro interminável que nos deram.
Raiva dos movimentos condicionados
Por pernas amputadas em exercícios mal executados!
Das granadas que estouram das normais ou de dispersão
Raiva disto tudo!
Raiva é a conclusão!
Raiva da droga de vida!
Raiva de bolhas castanhas correndo em pratas!
Do rasto de morte que deixam para trás e que tu não matas!
Raiva de quem tem sida!
Raiva de quem não teve cuidado e ficou contaminado…
E assim este verso se dá por finado,
Na esperança de amanhã tudo ter melhorado
Com menos raiva…
Ou mesmo hoje se houver alguém que ajude e saiba!
Publicado por
Germano Amorim em
22:36:30 |
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