Tuesday, August 28, 2007
Dar-te a Lua

Apenas a certeza de que a Lua que hoje ou amanhã verás
será a mesma que eu vejo.
Nenhuma certeza mais ou de quem serás
tenho comigo…
Apenas a certeza desta Lua
Que nos une numa doce ilusão
Penso… e sofro
Tal como o teu olhar que me fugiu por entre os dedos tal areia
de uma superfície lunar que eu sei que posso agarrar!
Já lá moro há bastante tempo e conheço-a como nenhum.
Hei-de dar-ta um dia,
Bastando quereres e por magia,
porque nunca acreditaste e para sempre a terás!
Sou capaz de tudo isso e ainda de muito mais.
De dançar a vida toda, cantar até me doer!
Basta para isso pensar que gostarias de me ver…
A distância que dela nos separa
não é mais do que a ilusão que todos nós criamos.
Basta querer e ela será nossa!
Tão certo como partires e um dia dares esse sinal
Que te derrota por acreditares nele
E que não é apenas carnal
Mas tão real como esta angustiante calma
Que me sossega por poder olhar para ela
Num dia e numa noite
Em que te tenho encostada suavemente em mim
A lua para te entregar e pensar como ela sorria
Ao saber que foi roubada na tua companhia…
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Germano Amorim
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Wednesday, August 22, 2007
Apenas o teu sorriso

De repente
Lembro-me de ti, como se isso fosse repentino…
Desde logo, muito cedo, na aurora dos sonhos
tu já lá vives e insistes em ficar.
Agora que faço?
Acordo, olho à minha volta e dou conta de mim
Do vazio de meu leito
Apenas a visão dos botões arrebentados que destaparam o meu peito
Pergunto por mim e tardo em responder
Quero viver ainda aquele sonho
de por perto te ter
Ouvir-te respirar, levemente como a brisa de verão que alivia o calor dos nossos desejos
Que apenas se acalmam com longos, doces e eternos beijos
Complacentes, conspirantes, instigantes
Da carne, do teu olhar distante
Mas sempre ali ao junto a mim
Para eu me deleitar…
Junto ao teu queixo, bem na tua cova, faço o meu ninho
De onde não quero sair
Por que essa eterna cumplicidade não se encontra por aí!
Não vem embrulhada em celofane, ou de forma polimérica
É uma afinidade quimérica
Repeitável, Homérica!
Não facilmente biologicamente degradável, ou sequer,
Quimicamente explicável!
Acontece, como a vida…
Sem se explicar o seu porquê e sem manual de instruções!
Vimos conforme nos dizem sem grandes lucubrações…
Pronto!
Já me perdi por outras vielas do pensamento,
Mas o teu sorriso está lá, sempre sereno,
Pronto a ser esse meu porto de abrigo
Só falta o teu brado suave, que esconde eternas angústias
Começas a cantar como num desfilar de súplicas
Para que te atendam, entendam, atentem
Eu apenas fito o teu tímido e húmido olhar,
Os teus trémulos lábios
As tuas delicadas e níveas mãos que insistem em tocar em jeito de tique
A ponta de um xaile imaginário que vestes cada vez que cantas
Que te faz voar por todos os locais mágicos onde gostarias de estar
Quando acabas, apenas as correspondentes palmas do acaso
Por uma plateia que apesar de embevecida
Não te consegue salvar
Olho para ti, não para a tua superficialidade
Estendo-te a mão e tu hesitas por medo de ti própria
Do que ainda sentes, do que podes vir a sentir
Eu lentamente desapareço a pensar,
Só me resta pensar nela a sorrir.
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Germano Amorim
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