Thursday, December 13, 2007
Wednesday, December 5, 2007
Morte
Repentinamente irrompeu alguém a meio de um doce sono e sonho.
Esse alguém não sei quem era. Apenas alguém agradável que sorria e me encaminhava para a cama. Quando destapei os lençóis que cobriam o meu leito, vi! Era a morte…
Não personificada. Apenas um conjunto de caveiras vazias mecanicamente distribuídas sob o colchão. Era uma fábrica de morte na qual era suposto deitar-me entregando-me para dar lugar a outro. Nesse momento senti o terror da falha das minhas forças para lutar. Porém decidi resistir! Ainda a tempo de ver a distribuição do vazio da humanidade perante a mortalha eternamente envolvente da morte. Onde nada somos…
Apenas um amontoado ordenado e lógico de crânios translúcidos que supostamente seriam ocupados por outras almas perdidas numa espécie de limbo que até a igreja nega!
Senti o terror do vazio, olhei para a nossa vulnerabilidade acompanhado pelo súbito e progressivo esmorecimento da minha consciência. A morte ali tão perto… doce no acompanhamento e brutal na distracção propositada da falta de sentido das coisas! A loucura perante mim de não ver se não o que a nossa vida é… O absurdo.

Dorme, pensa, sonha, sua…
Como se a noite fosse só tua!
Cruel, fria, traiçoeira…
Uma mulher nua!
Feita de eternos mistérios, de colunas que se erguem
Por rituais esotéricos levantando templos
Que resistem à força dos tempos
Nessa doce ilusão
De sempre perpetuarmos o que não é infindo…
Do terno movimento das coisas até ao eterno silêncio total e absoluto.
Escuro, frio, temível, monstruoso ao seu jeito
De quem em constante pleito contra tudo e todos rejeitando
Sabedoria que nos guia
Força que nos ajuda a sustentar
Orientados pela beleza do que nos rodeia
Meus irmãos!
Nesta cadeia eterna unam as mãos!
Reflictam em nossas vidas
Sempre com a ideia que a única saída é a morte…
Entretanto o sol raia e a lua também ilumina
E como se em três passes mágicos tudo acaba por ter um sentido
Apesar de pesado e sentido
Vamos continuando neste labiríntico mundo desajeitado
Que por vezes protege somente os incautos de pensamento
Entretanto prosseguimos ao sabor das coisas
Da nossa autofagia ao sabor do vento…
Falta pouco para nada termos a beber
Nada teremos a brindar
Destruição dos corpos, naturais, geneticamente modificados,
Economicamente espezinhados
Sempre imaginei que às portas da morte um mosaico marcado
Pelo seu contrário numa disposição geométrica perfeita contemplar-se-ia perante mim
Triste engano…
Apenas frio industrial do vazio do ser.
Mas o que são relações WC? Perguntam intrigados os meus queridos leitores (sim, hoje estou muito carinhoso para convosco).