Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Mulher

Mulher…


Uma.


Qual?


Todas.


A sua diferença que em seu regaço nos torna iguais


Do brotar venenoso dos seus cheiros


Até à salvação maternal em seus seios


Em que nos acolhemos em volúpia, tesão e esperança.


De te conquistar por inteiro


De seres aquela que não cansa


Nenhum dos meus sentidos


Apenas tu, mulher…


Nos faz correr sem destino


Num completo desatino


Sem saber o que nos espera


Que me tira o sono


Em doces toques com lençóis


Pensando que és tu ou, se os sonhos nos traírem, a outra


Derrotando a solidão própria do ser humano


Que só contigo, mulher, desaparece


Por breves e sublimes instantes


Quando te cheiro e te amasso


Prendo teu cabelo e te puxo por esse braço


Que te vira num só gesto


Frágil e vulnerável


Sem que importe nada do resto


A não ser esse longo e quente beijo


E de repente por instantes te vejo


Derrotada


A meus pés quando nesse lânguido olhar


Só pensas em penetrar


A minha carne na tua


O teu toque no meu


Deixando de ser eu


Que eternamente me atordoará e deixará


Todos os sentidos sem sentido nenhum


Um mar de fragrâncias doces, sujas, primárias


De espasmos musculares constantes


Ligeiramente ritmados


Ou então totalmente intensos


Onde perdemos qualquer noção do ritmo e

Apenas sons loucos que mais parecem sofrimento


Se soltam num arfar que pouco a pouco


Me deixam rouco e com os músculos suados


Onde agora, nada!


Nem mesmo qualquer dos fados


Que tem o dom me tocar


Me entra nessa hora


Apenas eu entro em ti


Até tu não estares aí


Tornando-me um só


Mas como tudo na vida


Sem piedade nem dó


Já não te vejo


Já não te toco


E lembro-me desse beijo


De todo o desatino da minha língua


Que insistiu percorrer todo o teu corpo


Ao ponto mais óbvio


Aquele menos claro


Mulher


Penetrante


Exaustiva


Complexa


Lua


Bela


Nua


Peça


Ela é tua


Tu és dela


Ajoelhem-se perante seu esplendor


Num longo estertor


Que nos torna masoquistas


Sem darmos por ela, sem sensação


Sem quaisquer pistas


Prestamos nossa veneração


A ti mulher


Eterna e sublime criação!

Publicado por Germano Amorim em 19:23:02 | Permalink | Comentários (7)