Mulher

Mulher…
Uma.
Qual?
Todas.
A sua diferença que em seu regaço nos torna iguais
Do brotar venenoso dos seus cheiros
Até à salvação maternal em seus seios
Em que nos acolhemos em volúpia, tesão e esperança.
De te conquistar por inteiro
De seres aquela que não cansa
Nenhum dos meus sentidos
Apenas tu, mulher…
Nos faz correr sem destino
Num completo desatino
Sem saber o que nos espera
Que me tira o sono
Em doces toques com lençóis
Pensando que és tu ou, se os sonhos nos traírem, a outra
Derrotando a solidão própria do ser humano
Que só contigo, mulher, desaparece
Por breves e sublimes instantes
Quando te cheiro e te amasso
Prendo teu cabelo e te puxo por esse braço
Que te vira num só gesto
Frágil e vulnerável
Sem que importe nada do resto
A não ser esse longo e quente beijo
E de repente por instantes te vejo
Derrotada
A meus pés quando nesse lânguido olhar
Só pensas em penetrar
A minha carne na tua
O teu toque no meu
Deixando de ser eu
Que eternamente me atordoará e deixará
Todos os sentidos sem sentido nenhum
Um mar de fragrâncias doces, sujas, primárias
De espasmos musculares constantes
Ligeiramente ritmados
Ou então totalmente intensos
Onde perdemos qualquer noção do ritmo e
Apenas sons loucos que mais parecem sofrimento
Se soltam num arfar que pouco a pouco
Me deixam rouco e com os músculos suados
Onde agora, nada!
Nem mesmo qualquer dos fados
Que tem o dom me tocar
Me entra nessa hora
Apenas eu entro em ti
Até tu não estares aí
Tornando-me um só
Mas como tudo na vida
Sem piedade nem dó
Já não te vejo
Já não te toco
E lembro-me desse beijo
De todo o desatino da minha língua
Que insistiu percorrer todo o teu corpo
Ao ponto mais óbvio
Aquele menos claro
Mulher
Penetrante
Exaustiva
Complexa
Lua
Bela
Nua
Peça
Ela é tua
Tu és dela
Ajoelhem-se perante seu esplendor
Num longo estertor
Que nos torna masoquistas
Sem darmos por ela, sem sensação
Sem quaisquer pistas
Prestamos nossa veneração
A ti mulher
Eterna e sublime criação!