Sexta-feira, Abril 4, 2008
Adeus

Penso em ti.
Na tua vida
Feita pelos mais tortuosos caminhos
Que os teus sentimentos percorreram.
Como que escrito em pergaminhos
Que terias que passar
Para provares a alguém, quem sabe
Que ainda podes amar.
Onde está o teu pai?
O que é feito do teu cheiro?
De te ver chegar a casa
Perscrutando essas emoções
Que ao momento não têm valor…
São parte das nossas certezas
Como que esse fraternal amor
Para sempre lá estivesse.
Agora que choro,
Porque não sinto esse teu cheiro
Do teu after-shave
Na tua pele morena
Que agora vejo, te disfarçava as olheiras
Enterradas em calmantes
Whiskies imparáveis
Imaginava-te com amantes.
Onde estás?
Porque partiste?
A minha vida sem ti é infinitamente triste!
Grito de dor
De raiva e deste profundo horror
Onde estás?
Que horas são?
Porque me deixaste?
Sou uma cria desamparada
Que só vivo em ti, para ti.
Para te esquecer!
Para te odiar!
Para perceber o não estares aqui
Perto de mim, para gentilmente
Afagar-me em teu peito.
Apenas queria cheirar-te mais uma vez
Olhar pelos teus olhos e fazer uma despedida
Sabendo que para sempre
Eu serei a tua vida.
Pai, volta…
Eu quero o meu pai!
Daria tudo para te ver
Nem que tu não me visses.
Não sabias que te amava?
Que sem ti não sou nada?
Finjo que vivo e que continuo a andar,
Num movimento mecânico das pernas que não consigo parar.
Porque a cada segundo que paro,
Olho logo para ti…
Procuro-te insistentemente em todos os lugares.
Adeus pai…
Estarei sempre aqui!
Publicado por
Germano Amorim em
15:42:49 |
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