O PSD é um partido completamente partido. O PSD é um partido ferido. O PSD é um partido à deriva. O grande desafio do Partido Social-democrata, não é a eleição de um líder! É sim a definição de um rumo.
Nenhum dos actuais candidatos será capaz de provocar um fenómeno de arrastamento em torno da sua personalidade, do seu programa, das suas ideias, do seu projecto. Até ao momento tudo isto não passa de uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Apenas assistimos a uma quase desesperada tentativa de solucionar o que aparentemente passa por colocar uns remendos numa roupa de si quase toda rasgada.
Rasgada por autênticos golpes palacianos que ao longo destes anos apenas têm permitido ao PS fazer o seu mais pacífico passeio desde o início da sua história, tendo até redundado na obtenção de uma primeira maioria absoluta.
As ditas bases estão cansadas e perfeitamente desgastadas com estas guerras intestinas. A desilusão é reinante.
Ao novo líder, mais do que tentar alcançar vitórias nos próximos actos eleitorais, cabe-lhe acima de tudo, mobilizar os militantes no sentido de recredibilizar o PSD. Esse é o grande desafio. Para alcançar esse desiderato, os militantes deverão saber respeitar-se uns aos outros, independentemente de quem quer que saia vitorioso. O novo líder deverá novamente ser o elemento aglutinador das várias sensibilidades existentes no seio interno do partido. Chamar a si os melhores mesmo que esses tenham apoiado outro candidato. A diversidade sempre foi a grande riqueza do Partido Social-democrata. A divergência de opiniões, visões da sociedade e do mundo. Saiba o próximo líder aproveitar essa inesgotável riqueza e saberá com certeza encontrar o rumo da vitória.
O PSD nunca foi um partido disciplinado, ou votado a qualquer tipo de unanimismo, nem tal é desejável. Porém é necessária organização que nos faça ter noção do caminho a percorrer. Saibam os derrotados perder e muito mais importante, os vencedores saber capitalizar a vitória sem triunfalismo bacoco e divisionista, aproveitando o melhor de cada um de nós. Acabemos de vez com bases e barões. Façamos novamente da seta da igualdade, em conjunto com setas da liberdade e solidariedade as nossas armas!
Esqueçamo-nos das diferenças e saibamos dar a mão à sociedade civil que tão abandonada tem andado.