ESTRATÉGIA MAGALHÃES
O governo socialista está oficialmente em campanha eleitoral. Não é engano. Apesar de faltar aproximadamente um ano para os próximos desafios nas eleições legislativas, autárquicas e europeias, o PS já decidiu arrepiar caminho!
Compreendo a estratégia. De facto, só um ano a tentar distrair os portugueses é que realmente poderá produzir os resultados desejados. Porém, tal desafio não é nada fácil, como poderão os caros (e)leitores imaginar. Um ano inteiro? Nem a eficientíssima máquina de marketing socialista consegue responder a este desafio de forma simples. Mas, como é o sonho que comanda a vida, decidiram arrepiar caminho e inventar uma nova estratégia.
A estratégia Magalhães! O novo produto evitará que os portugueses durante um ano entrem em depressão profunda e estejam tão distraídos ao ponto de votarem novamente no PS nos próximos actos eleitorais. Pelo menos assim se pretende.
Magalhães porquê? Passo a explicar. Conforme sabem, Fernão Magalhães foi o navegador português, ao serviço de Carlos V de Espanha, responsável pela viagem de circum-navegação, que tinha como objectivo provar a possibilidade de alcançar o oriente pelo ocidente por mar, se o mundo fosse realmente esférico. Assim o fez. Ora, é também do conhecimento do grande público que os novos computadores foram baptizados com o nome do célebre navegador. Dão-se como se fossem rebuçados, a ricos e a pobres de forma igual! Os países ricos são assim. Com grande pompa e circunstância tem sido espalhado aos sete ventos, apoiadíssimo numa comunicação social entusiasta e seguidista, que não perde qualquer oportunidade de acompanhar qualquer membro do governo que vai calcorreando os caminhos de Portugal anunciando a boa nova do progresso. Pelo meio, vão-se inaugurando uns casinos, outra vez com muito glamour, mais pompa, mais circunstância (será que se fumou desta vez?). Umas corridas sobre a ponte. Dão-se umas formações milionárias, através de fundos comunitários, que vão distraindo mais alguns, sem terem a noção exacta que acabando os seus cursos, perderão qualquer forma de sustento e não estão preparadas, na maioria dos casos, para o mercado de trabalho. Recebe-se Hugo Chávez, que já encomendou um milhão de Magalhães e anuncia a intenção de comprar umas boas folhas de bacalhau e uns bons litros de azeite. Com sorte, ainda compra umas bananas na Madeira, ou, melhor faria se levasse, de graça, tanta banana do continente. Assim se tenta distrair o Zé-povinho da realidade. O PS sabe perfeitamente que o país está com o credo na boca. Os portugueses estão desmotivados, descrentes num governo que não cumpre as suas promessas eleitorais. Desiludidos e desconfiados de um futuro incerto. As pessoas sabem que os índices económicos estão pelas ruas da amargura. O desemprego aumenta. Há cada vez mais pobres, mais fábricas a encerrar, descapitalização galopante e um futuro que de certo apenas tem a triste realidade de piorar. O governo quer agora tentar distrair os portugueses através de golpes de puro entretenimento. Tal como Magalhães, Sócrates propõe aos portugueses uma viagem. Uma viagem de onde partimos pobres e sem grande crença no futuro, mas que durante o seu percurso distrairá todos e, no dia do regresso, terminada a volta eleitoral, poderão estar certos que a circunferência foi feita e que voltaram ao mesmo tempo de empobrecimento. Provando-se assim o óbvio, que esta é uma estratégia redonda como a terra…



A província pode esmorecer. A província pode esperar. A província pode ausentar-se. A província pode deixar saudades, mas, a Província nunca morre!