Monday, September 29, 2008

ESTRATÉGIA MAGALHÃES

O governo socialista está oficialmente em campanha eleitoral. Não é engano. Apesar de faltar aproximadamente um ano para os próximos desafios nas eleições legislativas, autárquicas e europeias, o PS já decidiu arrepiar caminho!

Compreendo a estratégia. De facto, só um ano a tentar distrair os portugueses é que realmente poderá produzir os resultados desejados. Porém, tal desafio não é nada fácil, como poderão os caros (e)leitores imaginar. Um ano inteiro? Nem a eficientíssima máquina de marketing socialista consegue responder a este desafio de forma simples. Mas, como é o sonho que comanda a vida, decidiram arrepiar caminho e inventar uma nova estratégia.

A estratégia Magalhães! O novo produto evitará que os portugueses durante um ano entrem em depressão profunda e estejam tão distraídos ao ponto de votarem novamente no PS nos próximos actos eleitorais. Pelo menos assim se pretende.

Magalhães porquê? Passo a explicar. Conforme sabem, Fernão Magalhães foi o navegador português, ao serviço de Carlos V de Espanha, responsável pela viagem de circum-navegação, que tinha como objectivo provar a possibilidade de alcançar o oriente pelo ocidente por mar, se o mundo fosse realmente esférico. Assim o fez. Ora, é também do conhecimento do grande público que os novos computadores foram baptizados com o nome do célebre navegador. Dão-se como se fossem rebuçados, a ricos e a pobres de forma igual! Os países ricos são assim. Com grande pompa e circunstância tem sido espalhado aos sete ventos, apoiadíssimo numa comunicação social entusiasta e seguidista, que não perde qualquer oportunidade de acompanhar qualquer membro do governo que vai calcorreando os caminhos de Portugal anunciando a boa nova do progresso. Pelo meio, vão-se inaugurando uns casinos, outra vez com muito glamour, mais pompa, mais circunstância (será que se fumou desta vez?). Umas corridas sobre a ponte. Dão-se umas formações milionárias, através de fundos comunitários, que vão distraindo mais alguns, sem terem a noção exacta que acabando os seus cursos, perderão qualquer forma de sustento e não estão preparadas, na maioria dos casos, para o mercado de trabalho. Recebe-se Hugo Chávez, que já encomendou um milhão de Magalhães e anuncia a intenção de comprar umas boas folhas de bacalhau e uns bons litros de azeite. Com sorte, ainda compra umas bananas na Madeira, ou, melhor faria se levasse, de graça, tanta banana do continente. Assim se tenta distrair o Zé-povinho da realidade. O PS sabe perfeitamente que o país está com o credo na boca. Os portugueses estão desmotivados, descrentes num governo que não cumpre as suas promessas eleitorais. Desiludidos e desconfiados de um futuro incerto. As pessoas sabem que os índices económicos estão pelas ruas da amargura. O desemprego aumenta. Há cada vez mais pobres, mais fábricas a encerrar, descapitalização galopante e um futuro que de certo apenas tem a triste realidade de piorar. O governo quer agora tentar distrair os portugueses através de golpes de puro entretenimento. Tal como Magalhães, Sócrates propõe aos portugueses uma viagem. Uma viagem de onde partimos pobres e sem grande crença no futuro, mas que durante o seu percurso distrairá todos e, no dia do regresso, terminada a volta eleitoral, poderão estar certos que a circunferência foi feita e que voltaram ao mesmo tempo de empobrecimento. Provando-se assim o óbvio, que esta é uma estratégia redonda como a terra…

Posted by Germano Amorim at 17:41:36 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, September 17, 2008

Justiça a soldo


A notícia que correu esta semana acerca das declarações do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Mmo. Juiz Conselheiro Noronha do Nascimento deixara-me estarrecido. Dizia-me um amigo, na véspera, que o STJ faria 175 anos em jeito de entusiasmo. Nada melhor do que comemorar uma efeméride do que vir reclamar o vil metal. A afirmação de que o sistema remuneratório, que remonta a 1992, pode por em causa a qualidade e independência do trabalho dos mesmos é no mínimo preocupante e absolutamente aberrante.

A partir deste dia sabemos que a qualidade poderá estar posta em causa porque uma remuneração mensal superior a € 5000,00 mensais e outras regalias, não é garante de motivação para que se faça um trabalho de qualidade. Em segundo lugar, sabemos também que a independência das decisões judiciais está posta em causa. O mesmo quererá dizer que poderão estar dependentes de pressões exteriores que os levem a assumir posições “menos claras”. Será que isto é real? Será que podemos cometer o atrevimento de pensar que os Juízes Conselheiros estão sujeitos a cometer actos de corrupção? Será que seria isso que o Dr. Noronha de Nascimento quereria insinuar? Se assim for, qual será o montante remuneratório capaz de deixar os magistrados, sujeitos a essa pressão, a exercerem a sua soberania de forma totalmente independente? A mesma remuneração do Cristiano Ronaldo? Será que já não há ninguém que não seja capaz de exercer uma actividade profissional apenas por mera vocação? Será que julga que estamos convencidos que o salário que auferem não é mais do que suficiente para levar uma vida confortável e sem necessidade de terem qualquer tipo de preocupação financeira? Será que os magistrados também aparecerão como gestores de multinacionais? Será que abandonarão a sua actividade para aderirem às grandes sociedades de advogados que fazem escandalosos negócios com o Estado? Será que ninguém quer saber do que quererá afinal dizer isto? Será que ninguém compreende que se os juízes do STJ sentem tal, o que pensarão os magistrados com remunerações inferiores? O que pensarão os magistrados do Ministério Público, na maioria das vezes obrigados a lidar com essas pressões de forma directa? O que pensará o povo e um cidadão como eu? Que a corrupção está de tal forma instalada neste país que nem num Juiz do Supremo Tribunal de Justiça se pode confiar? O que pensarão os desgraçados dos advogados estagiários que nem um tostão de remuneração recebem?

Sabem o que eu penso? Que é bom ser um arguido influente neste país… A partir destas declarações torna-se tudo muito mais claro.

Não desanimemos por pensarmos que a Justiça bateu no mais profundo descrédito. Pode ser que um dia também nós sejamos indemnizados por algum motivo. Quem sabe até por termos nascido neste país. Quem sabe?

Posted by Germano Amorim at 17:40:04 | Permalink | Comments (4)

Tuesday, September 9, 2008

Opiniões estilísticas e outras considerações sobre evolução científica.



Gostaria de recolher as vossas opiniões relativamente à imagem deste blogue. Por favor dêem o vosso contributo e digam se preferiam, por exemplo, um fundo negro. Tem a grande vantagem de ser mais económico e melhor em termos ambientais em consequência.

Quanto à realidade hodierna, para quem leu Anjos e Demónios, de Dan Brown, que começa razoavelmente bem em termos literários e termina completamente aos trambolhões entre um piscar de olhos a Hollywood e outro a uma salvação do mundo devido à fé católica de braços dados com a ciência, não ficará muito impressionado com a novidade. Porém, o CERN, que é o organismo europeu para a investigação nuclear e física de partículas (a designação oficial não corresponde ao acrónimo nem tão pouco à descrição aqui feita), comparticipado por mais de 20 países, nos quais se inclui Portugal, vai pôr agora em prática o funcionamento de um projecto que tem desenvolvido ao longo de anos. Trata-se do vulgarmente conhecido LHC (Grande Colisor de Hádrons) e que permitirá, muito em suma, recriar as condições existentes imediatamente após a ocorrência do Big Bang, que, de acordo com as teorias científicas em vigor (principalmente do Físico Stephen Hawking), foi o acto que deu origem a este Universo (porque hoje já se admite a possibilidade de existência de outros Universos, criando em si o que agora se designa na física teórica por Multiverso). Desta forma poderemos desvendar os segredos da origem do universo e seu funcionamento. Esperemos que o projecto decorra sem qualquer tipo de problema e que a ciência consiga iluminar este caminho que poderá significar tão somente o maior passo na história da humanidade!
Nada será como dantes e com toda a certeza voltaremos a ter acesos debates entre ciência e religião. De uma coisa poderemos ter a certeza, não se deve a qualquer religião o desenvolvimento de qualquer tentativa explicativa do que é o mundo do ponto de vista palpável. Poderemos assistir a uma completa revolução do papel das religiões na sociedade, não mais ficando, porventura, do que o espaço reservado à individualidade humana, deixando de ter sentido toda e qualquer tentativa explicativa do fenómeno da criação através de teses tão absurdas quanto o criacionismo, que a ciência já provou estar absolutamente arredada através da fórmula evolucionista darwiniana. Talvez fosse essa a intenção dos que intentaram uma providência cautelar, dizendo que, com se corria o risco de criação de um buraco negro que engolisse o próprio planeta Terra. Essa possibilidade é, todavia, bastante mais provável de se verificar, do que, do resultado destas investigações aparecesse como conclusão uma imagem de Adão e Eva, em pleno pecado e portanto sem a sua púdica folha de parra!
Sem dúvida, tempos extremamente estimulantes. Aguardemos os resultados.

Posted by Germano Amorim at 17:42:49 | Permalink | Comments (3)

Friday, September 5, 2008

A Província nunca morre…

A província pode esmorecer. A província pode esperar. A província pode ausentar-se. A província pode deixar saudades, mas, a Província nunca morre!

Ao longo destes meses, assolado por uma clara desinspiração de escrita, não posso deixar de confessar que tive saudades do meu blogue e, essencialmente, dos comentários dos meus fiéis leitores.

Por isso, resolvo compartilhar convosco um pensamento sobre Agosto.

Desde muito novos fomos educados a detestar o mês. Pelo menos, assim o é em alguns meios. A barafunda que se instala derrota por completo a habitual pasmaceira de que nos queixamos durante todo o restante ano. É algo paradoxal saber que sentimos esta ligeiramente angustiante ambivalência estética ou inestética. Ao fim de todos estes anos, apercebi-me que só compreendemos Agosto quando inteiramente a ele nos entregamos. O mesmo quererá dizer que será a entrega a quem nos visita. Especialmente os emigrantes. Houve alguém que me dizia, ainda agora faz pouco tempo, que eu gostava dos emigrantes. De facto assim o é. Confesso que tenho uma admiração especial por todos estes homens e mulheres que um dia, descontentes com suas vidas em que, na maioria dos casos, apenas se vislumbrava uma amargurante miséria, ou, horizontes extremamente condicionados. Não foi o gosto pela aventura que fez essa gente partir. Foi o gosto por quererem uma vida melhor. Assim o conseguiram na sua absolutíssima maioria. Com o suor dos seus rostos dobraram o cabo que os atormentava em sua terra natal, porém, madrasta!

Agosto tem isto de especial. É a manifestação plena de quem sente uma infinda saudade no seu regresso a casa. A saudade que nos marca neste nosso “sereno jeito de ser” e que muitas vezes nos faz escorrer lágrimas sem saber bem porquê. Apenas por sermos portugueses… nesta nossa maneira de permanente insatisfação vamos dando azo às rusgas, romarias, festas, danças. Vestimos o mais tradicional, procuramos a profundeza de nossas raízes nesta nossa ruralidade, tanto em voga hoje em dia.

No fundo mais não procuramos do que a nossa identidade e procurar bem dentro de nós quem somos. Isto tanto de aplica aos que regressam como aos que cá estão! É a única altura do ano que podemos encontrar portugalidade espalhada por todos os cantos do mundo e tentar perceber o que isso é. A cor domina, os foguetes estalam em orgias de artifício que pintam o céu negro salpicado de estrelas que se vêm com perfeita nitidez até interrompidas por misteriosas ondas de fumo da pólvora e dos olhares de espanto. Ser português não é estar cá. É entendermos que sem este nosso canto, que por vezes tanto nos desilude, nada somos…

É na província que mais podemos sentir este nosso jeito de sentir lusitano. É por isto também que cá estou e não deixo de escrever.

Abraços de saudades.

Posted by Germano Amorim at 18:06:58 | Permalink | No Comments »