Friday, September 5, 2008

A Província nunca morre…

A província pode esmorecer. A província pode esperar. A província pode ausentar-se. A província pode deixar saudades, mas, a Província nunca morre!

Ao longo destes meses, assolado por uma clara desinspiração de escrita, não posso deixar de confessar que tive saudades do meu blogue e, essencialmente, dos comentários dos meus fiéis leitores.

Por isso, resolvo compartilhar convosco um pensamento sobre Agosto.

Desde muito novos fomos educados a detestar o mês. Pelo menos, assim o é em alguns meios. A barafunda que se instala derrota por completo a habitual pasmaceira de que nos queixamos durante todo o restante ano. É algo paradoxal saber que sentimos esta ligeiramente angustiante ambivalência estética ou inestética. Ao fim de todos estes anos, apercebi-me que só compreendemos Agosto quando inteiramente a ele nos entregamos. O mesmo quererá dizer que será a entrega a quem nos visita. Especialmente os emigrantes. Houve alguém que me dizia, ainda agora faz pouco tempo, que eu gostava dos emigrantes. De facto assim o é. Confesso que tenho uma admiração especial por todos estes homens e mulheres que um dia, descontentes com suas vidas em que, na maioria dos casos, apenas se vislumbrava uma amargurante miséria, ou, horizontes extremamente condicionados. Não foi o gosto pela aventura que fez essa gente partir. Foi o gosto por quererem uma vida melhor. Assim o conseguiram na sua absolutíssima maioria. Com o suor dos seus rostos dobraram o cabo que os atormentava em sua terra natal, porém, madrasta!

Agosto tem isto de especial. É a manifestação plena de quem sente uma infinda saudade no seu regresso a casa. A saudade que nos marca neste nosso “sereno jeito de ser” e que muitas vezes nos faz escorrer lágrimas sem saber bem porquê. Apenas por sermos portugueses… nesta nossa maneira de permanente insatisfação vamos dando azo às rusgas, romarias, festas, danças. Vestimos o mais tradicional, procuramos a profundeza de nossas raízes nesta nossa ruralidade, tanto em voga hoje em dia.

No fundo mais não procuramos do que a nossa identidade e procurar bem dentro de nós quem somos. Isto tanto de aplica aos que regressam como aos que cá estão! É a única altura do ano que podemos encontrar portugalidade espalhada por todos os cantos do mundo e tentar perceber o que isso é. A cor domina, os foguetes estalam em orgias de artifício que pintam o céu negro salpicado de estrelas que se vêm com perfeita nitidez até interrompidas por misteriosas ondas de fumo da pólvora e dos olhares de espanto. Ser português não é estar cá. É entendermos que sem este nosso canto, que por vezes tanto nos desilude, nada somos…

É na província que mais podemos sentir este nosso jeito de sentir lusitano. É por isto também que cá estou e não deixo de escrever.

Abraços de saudades.

Posted by Germano Amorim at 18:06:58
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