Tuesday, November 4, 2008

Constância de Constâncio e outras considerações sobre as eleições nos E.U.A.

Escrevo na tarde de terça-feira, sem saber, portanto, qual o resultado das eleições norte-americanas. Confesso que julgava que estas eleições seriam disputadas entre diferentes candidatos. Hillary e Giuliani, democrata e republicano, respectivamente, eram à partida os mais habilitados para a disputa, porém, sabemos que a política norte-americana sendo fértil em surpresas, fez eclipsar a primeira e desaparecer o segundo. Giuliani simplesmente esvaneceu misteriosamente dando lugar a um McCain que muitos acusavam envelhecido para estas andanças. Do outro lado surge uma nova estrela no firmamento da política mundial de nome Barack Obama. Obama e McCain disputam muito mais que as eleições para a presidência de um país. Queiramos, ou não, nesta disputa está em causa a estratégia política mundial e a sua própria liderança. Não considero que a política económica seja sequer distinguível entre as duas candidaturas. Porém, seria importante que o novo líder tivesse uma nova visão das relações internacionais e do mundo.

Considero que Obama será a pessoa mais habilitada nesse aspecto. Não pela sua experiência, mas, por uma visão mais cosmopolita e abrangente. O seu conhecimento do mundo islâmico (não nos esqueçamos que Obama viveu em Jacarta e com certeza teve a oportunidade de perceber in loco o fenómeno religioso vigente) será fundamental para um pacificar de relações que se deseja, para que possamos assistir a um período de reinício de prosperidade alargado.

Além do mais, considero que a candidatura de Obama, só por si, constitui um imenso progresso quanto a questões de ordem sociológica. Pela primeira vez vemos que alguém de origem africana poderá ser líder de uma grande potência mundial. Um imenso contributo para o início de uma nova era em que o preconceito rácico tenderá a desaparecer de facto. Um grande progresso para aqueles que acreditaram que podiam vencer. Um ressuscitar de um novo american dream. Martin Luther King ficaria com certeza satisfeito, bem como ficarão todos os defensores da igualdade. Chomsky, linguista e intelectual norte-americano, numa entrevista recente afirmava que Obama perderia as eleições exactamente por considerar que os americanos ainda não estavam preparados para eleger um líder preto. A ver vamos se o preto para alguns brancos e o branco para alguns pretos consegue de forma inabalável passar essa barreira. A sua serenidade, inabalável determinação e intelectualismo assim o ditarão, julgo.

Quanto ao nosso burgo, não podemos deixar de levantar a seguinte pergunta: mas para que raio serve o cargo de governador do Banco de Portugal? Para enfeitar? Para levar mais de € 25.000,00 mensais ao erário público? O Dr. Vítor Constâncio não acerta uma estimativa macro económica desde que ocupa o cargo. Teve conhecimento de que os problemas no BPN surgiram em 2002 e nada fez. Antes teve conhecimento do que se passara no BCP e o que fez? Assobiou para o lado! É uma aflitiva constância de Constâncio. Foi afirmado peremptoriamente de que existiram irregularidades graves, cometidas pelas direcções anteriores à do Dr. Miguel Cadilhe, que lesaram o banco em 700 milhões de euros e ninguém sabe como. Assistimos agora a um processo de nacionalização de um banco sem sabermos porquê. Mas será que isto é legítimo? Será que efectivamente não haveria outra alternativa? Este processo tem que ser esclarecido a todos os portugueses, doa a quem doer, mesmo que se atinja um certo “centro” da questão. Mais uma vez vamos assistir impávida e serenamente à total desresponsabilização dos administradores que deixaram o grupo chegar a este ponto? Que bela democracia nós arranjamos. Depois surpreendem-se que os políticos sejam constantemente vítimas dos mais infames epítetos… pudera.
Posted by Germano Amorim at 19:20:51
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