Wednesday, November 19, 2008

O MARTÍRIO DA EDUCAÇÃO

Ao longo de vários anos fomos assistindo às incontáveis supostas reformas da educação. Ministros entraram e saíram da pasta tão depressa e mal quanto a generalidade dos condutores em estradas lusitanas. O resultado dessas supostas reformas foi rigorosamente nenhum! Fosse lá o governo PS, ou, PSD. Felizmente sou um livre-pensador e não embarco em discursos propagandísticos oportunistas como muitos tentam fazer. O que se tem feito nas últimas décadas no ensino são apenas meras manobras de entretenimento. No fundo continuamos com os mesmos problemas endémicos que afectam tão gravemente a sociedade portuguesa. Mais de 10% da população analfabeta e mais de 50% de iliteracia são os níveis estatísticos que desde há mais de 30 anos bem ilustram esta realidade. Praticamente nada evoluímos a este nível. Uma autêntica vergonha que devia preocupar todos.

Porém, mais uma vez, o actual governo socialista proporciona ao público português outra pretensa reforma que, mais parece uma telenovela de qualidade duvidosa, de origem chilena (não sei ainda, confesso, se o argumento é baseada na época de Pinochet), que deveria ter como título, “Maria de Lurdes, a Mártir”.

O intrincado enredo desenvolve-se em torno de uma pobre e benevolente ministra que tem o objectivo de tornar o ensino em Portugal um autêntico paraíso. Apoiada por todo o elenco governamental, pelo seu primeiro-ministro embevecido, por um ternurento Miguel Sousa Tavares e até pelo próprio presidente da república. Um mundo perfeito ao alcance de todos, onde os alunos passam sempre (a não ser que adoeçam, porque aí o caso complica-se) e os professores são constantemente avaliados. Tudo parecia correr bem até que, de forma imprevisível aparecem os vilões do costume. Essa raça desprezível, sim, esses, os professores. Esses de que se diz que pouco fazem, ganham muito, passeiam mais, têm um magnífico nível de vida e ainda por cima têm um jeito de superioridade perante os comuns dos mortais que mais parecem ex administradores de bancos nacionalizados. Os tais que, mesmo que andem de 4L, nas suas mãos, mais parecem Jaguares, como na música “Socorro” do Abrunhosa (pareceu-me adequado o título da música). Esses que pertencem à execrável classe dos funcionários públicos, que se diz, são incompetentes. Acontece que, os malandros dos professores, vêm a público dizer que não estão contra essa avaliação, mas e apenas, contra este sistema. Dizem que a burocracia é muita, que, um professor de geografia, por exemplo, não devia avaliar um professor de ginástica e vice-versa, por manifesta falta de capacidade para tal. Diz-se ainda por aí que, esta reforma tem como objectivo enfraquecer uma classe, já de si depauperada, criando cisões internas terríveis com esquemas de avaliação pouco claros e sem nexo em que uns se avaliam aos outros.

A pobrezinha da ministra, tão bem intencionada, vê-se então repentinamente atacada por todo o lado. Mais de cem mil professores resolvem manifestar-se por duas vezes em plena capital e crê-se até, vejam bem o infortúnio, que “alguns” dos manifestantes eram simpatizantes e mesmo militantes do PS! Os alunos juntam-se ao coro de protestos porque também estão contra o novo e absurdo Estatuto de Faltas. Imaginem que, até Manuel Alegre vem dizer que Maria de Lurdes Rodrigues e passo a citar, «foi inflexível e utilizou uma linguagem imprópria e incompatível com a cultura democrática». «Como reformar a Educação sem ou contra os professores?», foi a pergunta que Alegre lançou, afirmando ainda que: «passar de um laxismo anterior a um excesso de burocracia e facilitismo não é solução»; «se tantos [professores] estão na rua, terão as suas razões». Coitada da senhora… não merecia este país de gente preguiçosa e malandra que tão bem tem sido governado.

Pior cego é aquele que não quer ver… bem diz o povo no alto da sua infinda sabedoria.

P.S. Os comentários de Alberto Martins, acerca das últimas declarações de Manuela Ferreira Leite, são de um nível demagógico incomensurável. Lamentável como a descontextualização pode produzir efeitos tão nefastos. Quem escreve sabe que assim o é. Mas voltando ao tema, para qualquer bom entendedor, o que a líder do PSD quis dizer foi apenas que, relativamente a esta reforma da educação absolutamente autista, por exemplo, se fosse suspensa a democracia pelo período de sua implementação, tal seria exactamente igual! Os professores entendem-me…

Posted by Germano Amorim at 02:37:59
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