Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

POLÍTICA PARTIDA


As convulsões sociais com origem em Atenas, a pretexto da morte de um jovem estudante, são o retrato paradigmático de um futuro em que as únicas certezas garantidas são as dificuldades. As novas gerações já se aperceberam disso mesmo. A crise que perpassa as instituições é inegável. O escândalo das fortunas assentes em esquemas bancários de duvidosa legalidade ou num mercado bolsista altamente especulativo e falacioso, associam-se agora às cada vez maiores dificuldades que o normal cidadão sente no seu quotidiano. A isto tudo junta-se a crise dos partidos políticos, das políticas e dos políticos. A falta de credibilidade assola quase todos os quadrantes sociais.

Vivemos num país em que os deputados da Assembleia da República faltam consecutivamente e alguns dos deputados justificam essas ausências com a presença em jantares de clubes de futebol (com todo o respeito que me merecem, até porque sou presidente do Conselho Fiscal do nosso grande Atlético que está de parabéns pelo seu excelente percurso). Temos um primeiro-ministro que numa quarta-feira vem dizer aos portugueses que 2009 será um ano fantástico e na sexta-feira, da mesma semana, vem afinal contradizer-se dizendo que vai ser um ano horrível. Permanentemente escamoteiam-se dos portugueses as verdadeiras dificuldades e problemas que assolam o país. Vemos um PSD em crise e em risco de se partir. O PS surpreendentemente, para os mais distraídos, vive agora o mesmo problema. Alegre vai pôr muita gente triste. No CDS-PP uma debandada geral fragiliza um partido liderado por um Portas que abre para a direita e para a esquerda, conforme o vento sopra, ou para onde o rato rói o queijo. Assistimos às contrariedades de um qualquer Fernandes que hoje diz uma coisa, em defesa de um qualquer bloco à esquerda, para depois praticar tudo num bloco de interesses diferente. O Presidente da República parece apenas preocupar-se com a questão do estatuto autonómico dos Açores.

Vemos insistentemente, reiteradamente, sinais de desgaste de uma população cansada e descrente. Ao vivermos tudo isto, não nos admiremos que, qualquer dia, tenhamos os mesmos problemas à porta de casa.

O balanço de 2008 está longe de ser positivo. Temo porém, que, o que vem será bem pior a todos os níveis.

Não poderia terminar sem partilhar com o caro leitor uma secreta esperança para o ano que estás prestes a findar. Que os portugueses não batam mais um recorde mundial de envio de SMS em época natalícia. Esta mania irritante é um dos sinais do absurdo que se esbateu numa sociedade cegamente ávida de consumo.

A todos boas festas e até para o ano.

Publicado por Germano Amorim em 18:46:58
Comentários

5 Respostas

  1. Anónimo diz:

    Caro Amigo Germano Amorim;
    Primeiramente admiro e louvo a lucidez, a visão e a capacidade de Acompanhares com tanto acuidade o tempo que vivemos.
    Este Teu artigo é um retrato fiel do que se passa.
    Que a crise mundial que nos assola nos permita fazer uma reflexão sobre a forma como temos vivido, as prioridades que temos escolhido e os valores que estamos a passar às próximas gerações.
    Lutemos pela seriedade intelectual, por propostas de valor, de valores éticos e morais, e deixemos de parte a pura retórica, que serve meramente os egos, mas só de alguns.
    Acredito sinceramente que se no mundo começarmos a mudar nossa visão e comportamento pessoal, contagiando pessoas à nossa volta com posturas correctas e valores sólidos, começaremos um movimento no mundo que possivelmente, poderá surtir algum efeito na herança de valores que será deixada aos nosso filhos e netos.
    Que os Arautos da política mundial com os seus coadjuvantes não sejam os autores, os actores, e nós personagens de ficção.
    Boas Festas,Grande Abraço para Ti, Amigo Nº1, Sempre, Germano Amorim.

  2. Anónimo diz:

    Caro amigo, não sei se andas muito ocupado com as festas que tu e os teu socios organizam ou com o teu trabalho mas já estava na hora de escrever qualquer coisa! Não achas?

  3. Anónimo diz:

    Hummmm!Falta de inspiração….escreva…critique..argumente…fale,,,que a gente gosta de ouvir.

  4. Anónimo diz:

    “Alegre vai pôr muita gente triste”

    “Portas que abre para a direita e para a esquerda”

    “insistentemente, reiteradamente”

    É nisto que dá a ávida leitura da Bola!

  5. Anónimo diz:

    É verdade. Aprendi algo com cronistas como Baptistas Bastos, Homero Serpa, Alfredo Farinha e tantas mais referências de alto nível do panorama jornalístico português.
    Obrigado pelo comentário.

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