Wednesday, May 14, 2008

O PSD é um partido completamente partido. O PSD é um partido ferido. O PSD é um partido à deriva. O grande desafio do Partido Social-democrata, não é a eleição de um líder! É sim a definição de um rumo.


Nenhum dos actuais candidatos será capaz de provocar um fenómeno de arrastamento em torno da sua personalidade, do seu programa, das suas ideias, do seu projecto. Até ao momento tudo isto não passa de uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Apenas assistimos a uma quase desesperada tentativa de solucionar o que aparentemente passa por colocar uns remendos numa roupa de si quase toda rasgada.


Rasgada por autênticos golpes palacianos que ao longo destes anos apenas têm permitido ao PS fazer o seu mais pacífico passeio desde o início da sua história, tendo até redundado na obtenção de uma primeira maioria absoluta.


As ditas bases estão cansadas e perfeitamente desgastadas com estas guerras intestinas. A desilusão é reinante.


Ao novo líder, mais do que tentar alcançar vitórias nos próximos actos eleitorais, cabe-lhe acima de tudo, mobilizar os militantes no sentido de recredibilizar o PSD. Esse é o grande desafio. Para alcançar esse desiderato, os militantes deverão saber respeitar-se uns aos outros, independentemente de quem quer que saia vitorioso. O novo líder deverá novamente ser o elemento aglutinador das várias sensibilidades existentes no seio interno do partido. Chamar a si os melhores mesmo que esses tenham apoiado outro candidato. A diversidade sempre foi a grande riqueza do Partido Social-democrata. A divergência de opiniões, visões da sociedade e do mundo. Saiba o próximo líder aproveitar essa inesgotável riqueza e saberá com certeza encontrar o rumo da vitória.


O PSD nunca foi um partido disciplinado, ou votado a qualquer tipo de unanimismo, nem tal é desejável. Porém é necessária organização que nos faça ter noção do caminho a percorrer. Saibam os derrotados perder e muito mais importante, os vencedores saber capitalizar a vitória sem triunfalismo bacoco e divisionista, aproveitando o melhor de cada um de nós. Acabemos de vez com bases e barões. Façamos novamente da seta da igualdade, em conjunto com setas da liberdade e solidariedade as nossas armas!


Esqueçamo-nos das diferenças e saibamos dar a mão à sociedade civil que tão abandonada tem andado.


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Friday, April 25, 2008

25 de Abril

Segue-se o discurso comemorativo do 25 de Abril de 1974, em representação do PSD, na AM de Arcos de Valdevez:

Celebram-se hoje 34 anos sobre uma das mais significativas e marcantes datas que mudariam o rosto e destino de Portugal e dos portugueses.

Esta efeméride, deverá ser sempre comemorada, sob forma de recordarmos aqueles que bravamente lutaram contra um regime ditatorial, absolutamente cerceador das mais elementares liberdades individuais, bem como do claríssimo contributo para o adiamento de uma pátria cansada, fechada e prostrada a um isolamento, que nos impediu durante décadas de acompanharmos a senda do progresso mundial. Marcou-se nessa data, o virar de uma página de obscurantismo, marcado por uma guerra colonial que provocou sequelas, que ainda pagamos a elevado preço.

Hoje, efectivamente, somos um país diferente. Portugal através, essencialmente, da inclusão no projecto da U.E., transformou-se num país que, durante alguns anos, obteve níveis de desenvolvimento que o aproximariam de seus pares.

Porém, o mundo está em permanente mudança. Assiste-se hoje à confrontação de desafios que até há bem pouco tempo, não faziam parte da normal agenda política.

Portugal debate-se hoje com problemas que são compartilhados com a mesma preocupação por outros países, mas, que infelizmente se têm repercutido em território nacional de forma avassaladora. A saber:

  • O enorme desafio da globalização e como nos afirmarmos como país prestigiado na Europa e no mundo. O elevado incremento de níveis de competitividade económica, que, obrigatoriamente acarreta em si, um aumento de exigência a todos nós. Sobre este fenómeno não podemos deixar de trazer à colação a deslocalização dos meios de produção para outros países, caso Portugal, não tenha a capacidade de obter elevados níveis de qualidade na prestação dos seus serviços e produtividade. Assiste-se constantemente ao fechar de portas de cada vez mais empresas estrangeiras em Portugal, contribuindo para a alta taxa de desemprego que neste momento ronda os 8 %.
  • A esta polémica discussão, não estão alheios os preocupantes crescimentos da desigualdade social e do empobrecimento da sociedade portuguesa. É indubitável que, Portugal é hoje dos países de toda a UE onde a repartição da riqueza é feita de forma mais injusta. Cerca de 21% da população actual, ou seja, mais de dois milhões de portugueses, encontra-se no limiar da pobreza. De referir que apenas 10 % dos mais ricos dispõem de 29,8% do rendimento nacional.
  • Outro dos factos que não pode ser escamoteado é o excessivo endividamento dos portugueses. Atingindo hoje, uma impensável taxa de 124% do rendimento disponível, ou seja, gasta-se, em média, mais 24 % do que o rendimento total obtido!
  • O envelhecimento populacional. Estima-se que 1/3 da população portuguesa dentro de vinte anos, aproximadamente, tenha mais de 65 anos. É urgente enfrentar um fenómeno que tem sido constantemente menosprezado e adoptar políticas de aumento demográfico capazes de impedir que 1/3 da nossa população se torne inactiva. Este é um dos dramas actuais que se fará sentir não apenas na cada vez mais deficitária Segurança Social mas e essencialmente, em sabermos encontrar formas que proporcionem uma vida condigna a todos os que se encontrarem nessa situação.
  • A desertificação. É com profundo pesar que se assiste ao aumento do abandono das zonas interiores do país. A população desloca-se para o litoral em busca de riqueza e de melhores condições de vida. A aposta em cidades de capacidade populacional média deveria ser o móbil de actuação. Ao contrário, tem-se assistido a uma clara aposta de reforço de concentração dos níveis de riqueza nas zonas da grande Lisboa e do grande Porto.
  • A taxa de analfabetismo em Portugal continua a cifrar-se na casa dos 10%. Ou seja, um milhão de portugueses não sabe ler nem escrever. Ainda, mais de 50%, cerca de cinco milhões de portugueses sofrem de iliteracia, o mesmo querendo dizer que sofrem de uma espécie de analfabetismo funcional.
  • O grande desafio do meio ambiente e dos recursos ecológicos. Mais uma vez Portugal é deficitário nestas matérias, tendo que prontamente investir em energias alternativas não poluentes. O que se faz é pouco! Uma chamada de atenção para a escassez de água como um dos mais exigentes desafios de futuro.
  • A falta de participação dos portugueses e da sociedade civil. O desenvolvimento de um país passa, inevitavelmente, pelo envolvimento dos seus cidadãos nos processos de decisão política, bem como da sua organização através da criação de associações não governamentais. Portugal padece de um problema de apatia social, potenciado por uma crescente descrença nas próprias capacidades do país, como se tivéssemos mergulhado numa espécie de letargia que nos impede de exigirmos mais, abandonando a crença num país melhor.

Estes são alguns dos dados que são francamente reveladores do que tem falhado ao longo destes anos. Mas, sendo hoje o Dia da Liberdade, da expressão do pensamento, não poderíamos deixar de tecer algumas críticas ao Governo e em particular ao Senhor Primeiro-ministro. Estes são responsáveis pelo actual estado da nação! Não há qualquer possibilidade de fuga, por melhor máquina de marketing que o Governo tenha (sabemos que a tem) porque esta é a real situação do país!

Tem havido ao longo destes anos de governação socialista uma indisfarçável vontade de controlo social e das vontades dos cidadãos em particular, à mistura com um velho estilo de arrogância, que há muito não se via. Erros de percurso crassos, inclusive, contra a matriz axiológica socialista democrática do Partido Socialista. A propósito, citando José Saramago, quando afirma que: “Já não há governos socialistas ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder”. São vários os exemplos do descontrolo socialista que poderíamos referir, porém, não podemos deixar de evidenciar os seguintes:

  • A lenta destruição do SNS. Este é um dos claros exemplos das más políticas que têm sido praticadas. Que o diga Manuel Alegre que vai mais longe afirmando que abolir o SNS geral, universal e gratuito, é um “erro colossal“! No mesmo diapasão está o criador deste mesmo sistema, António Arnaut, que olha para o rumo actual da política de saúde com grande insatisfação, e vê nela uma “política de terra queimada: estamos perante um ultraliberalismo sem regras e à solta“, afirmou o mesmo.
  • Que dizer da senhora Secretária de Estado Adjunta e da Saúde, que, com um pensamento absolutamente salazarista, definiu como únicos locais permitidos para dizer mal do governo, ou, das suas políticas, a casa, a esquina e o café!?
  • O recuo sobre o referendo ao Tratado de Lisboa, uma das promessas eleitorais e de programa deste governo.
  • O célebre caso do Professor Charrua. A anedota tornou-se agora motivo para perseguição laboral e política.
  • A perseguição movida a alguns sectores da sociedade, como o caso evidente dos professores, onde pura e simplesmente se suprimiram direitos, apenas alcançados, porque um dia houve um 25 de Abril de 1974.

Muito mais ficará por dizer, porém, olhemos para o essencial. Para onde vai Portugal?

Repentinamente, parece que os desígnios da nação, não mais passam do que pela construção de um aeroporto, bem como de uma linha de alta velocidade. Como se disso dependesse o futuro de todos nós.

O deserto não é na margem sul, como afinal se viu. O deserto é das ideias e de políticas capazes de mudar Portugal.

VIVA O 25 DE ABRIL, VIVA A DEMOCRACIA, VIVA A LIBERDADE, VIVA PORTUGAL!

Grupo de membros da AM do PSD de Arcos de Valdevez



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Monday, April 21, 2008

Perdidos

Aqui estou, perdido


Neste caminho achado.


Por enganos, desilusões e mistérios


Que ainda não consegui desvendar.



Apenas neste limbo


Em que nos encontramos


Em que não acreditamos


Nos faz acreditar!



Estamos assim


Como se deste mundo não fizéssemos parte


Continuamos à procura…


Mas onde está tu?


Que é feito da tua arte?



Já pouco sabemos


E apenas acreditamos no pouco que nos resta


Que é grande! Enorme! Imenso!


Se esta vida não presta,


Algo há-de aparecer.



E então perceber que esse foi o meu caminho


Em que amei


Em que amo


Em que visceralmente odeio


Aquilo que não sei!



Dessa força viva e humilhante


Vou buscar a minha luz


Onde vais tomar banho?


Que é feito do teu semblante?



Da alegria que conhecemos


E que tão distante está


Da opacidade em que te vi


Essa já cá não está.



Procuro!


O caminho


O percurso,


Desse teu sagrado vinho.



Que bebo em puro deleite


Como que um animal selvagem


Que acordou do seu longo hibernar.



Já chega!


Continuemos a procura


Do que teima em não aparecer


Penso que está ao meu lado


Mas há quem teime em não o ver.



Pago caro,


Amortalhado de angústias


De forte ressentimento


Aquela que é a minha vida


Aquele que é o meu eterno tormento.



Paro para pensar


Reflectir, indagar.


Haveria de desistir?


Ou continuar o engano de te amar?

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Friday, April 4, 2008

Adeus

Penso em ti.


Na tua vida


Feita pelos mais tortuosos caminhos


Que os teus sentimentos percorreram.



Como que escrito em pergaminhos


Que terias que passar


Para provares a alguém, quem sabe


Que ainda podes amar.



Onde está o teu pai?


O que é feito do teu cheiro?


De te ver chegar a casa


Perscrutando essas emoções



Que ao momento não têm valor…


São parte das nossas certezas


Como que esse fraternal amor


Para sempre lá estivesse.



Agora que choro,


Porque não sinto esse teu cheiro


Do teu after-shave


Na tua pele morena



Que agora vejo, te disfarçava as olheiras


Enterradas em calmantes


Whiskies imparáveis


Imaginava-te com amantes.



Onde estás?


Porque partiste?


A minha vida sem ti é infinitamente triste!


Grito de dor


De raiva e deste profundo horror


Onde estás?


Que horas são?



Porque me deixaste?


Sou uma cria desamparada


Que só vivo em ti, para ti.


Para te esquecer!



Para te odiar!


Para perceber o não estares aqui


Perto de mim, para gentilmente


Afagar-me em teu peito.



Apenas queria cheirar-te mais uma vez


Olhar pelos teus olhos e fazer uma despedida


Sabendo que para sempre


Eu serei a tua vida.



Pai, volta…


Eu quero o meu pai!


Daria tudo para te ver


Nem que tu não me visses.



Não sabias que te amava?


Que sem ti não sou nada?


Finjo que vivo e que continuo a andar,


Num movimento mecânico das pernas que não consigo parar.



Porque a cada segundo que paro,


Olho logo para ti…


Procuro-te insistentemente em todos os lugares.


Adeus pai…


Estarei sempre aqui!

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Friday, March 21, 2008

Poeta

O poeta…


O poeta é um ser inquieto.


Revolto por natureza


Verte tinta por extinto


Vergado sobre uma qualquer mesa.



Acompanhado de seus instrumentos que satisfazem seus pensamentos


Agarrado a um teclado


Numa soltura de movimentos


De rebeldia permanente


Numa eterna inquietude



O poeta…


Ser de mistério


De manifesta incompreensão


Agarra na caneta


Num frenesi em turbilhão



Descansa apenas quando já não há sequer descanso


Tem a noite por eterna companheira


De um negrume iluminado por estrelas eternas ou aparentes.


Dessa Irmã Lua,


Essa amante sempre nua…



O poeta…


É um contador


Alguém que descreve um estado de alma


Num pleno furor!


Que cria outros mundos



Faz renascer dos mais pensamentos profundos


Uma eterna ansiedade.


De uma sede insaciável


Inventa outras pessoas


Há procura de uma verdade.



O poeta…


É um ser.


Alguém que não pediu


Um dia para escrever.


Porém é seu fado



Aguentar essa saudade


Esperando eternamente


Enquanto a vida nos deixar


Ouvindo a música que podemos


Acreditando para sempre amar!

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Wednesday, March 12, 2008

Argumentos reais da causa Republicana

Na passada terça feira tive a oportunidade de assistir em diferido ao excelente debate promovido pelo programa Prós e Contras. De um lado adeptos confessos da causa monárquica, do outro, republicanos, grupo no qual naturalmente me insiro.

Naturalmente, porque assim fui educado e aceitei essa orientação axiológica de forma pacífica e sem qualquer tipo de sobressaltos. Aliás, tive o privilégio de receber, essencialmente através do ensinamento do meu pai e meu avô paterno, por herança directa do meu bisavô, Dr. Germano Amorim, toda uma série de ensinamentos de alguém que lutou pela instauração de um regime. Esse homem curiosamente tem uma história de vida que em muito se coaduna com a actual discussão. Filho de lavradores, natural de Monção, propriamente da freguesia de Mazedo, seria um dia obrigado, precocemente e conforme as regras sociais e económicas da sociedade de então o ditavam, a abandonar a casa de seus pais. Foi trabalhar para uma mercearia no centro da vila monçanense. A tristeza rapidamente abater-se-ia sobre a sua vida. De facto aquela obrigação que rapidamente transformar-se-ia em tristeza absoluta era descrita pelo próprio, na primeira pessoa, quando contava que um dia, comendo um prato de arroz com ervilhas (de quebrar, pelo menos sempre assim o imaginei) as lágrimas escorriam-lhe face abaixo de forma contínua e convicta terminando em seu prato. Aquela não era a vida que ele desejaria ter. Assim, tendo um dia se enchido de brio e coragem, haveria de dizer a seu pai que não voltaria mais a trabalhar naquele local. O que ele queria era estudar e se tal não fosse possível, voltaria então para a aldeia para se dedicar à alfaia agrícola. Um dos seus irmãos era padre em Guimarães, tendo portanto acesso ao ensino. Meu trisavô, tendo ficado em silêncio perante tal sentido pedido, durante um tempo obrigatoriamente reflectido, responder-lhe-ia que mandaria uma carta a seu outro filho para indagar da possibilidade de ele poder ir estudar para o liceu em Guimarães. Tal pedido viria a ser atendido, tendo o convicto Germano acabado por cumprir seu desejo. Mais tarde enveredaria pelo estudo de Direito na Faculdade de Direito de Coimbra, tendo terminado a sua licenciatura no dia 9 de Julho de 1910. Emblemática ano. Confesso que não sou um profundo conhecedor do seu percurso académico e seu envolvimento na vida política activa, desses anos, que seria com certeza bastante intensa, dado a sua participação enquanto Deputado na Assembleia Nacional logo nos primórdios da 1.ª República.

Voltando um pouco atás na história de sua vida, por meados do ano que coincidiria com o término da sua licenciatura, viria a conhecer aquela que seria sua mulher. Essa união era amiúde descrita pelo próprio como a de um simples homem do povo que viria a casar com uma fidalga da Casa da Amiosa na freguesia de Valadares, também em Monção. Efectivamente, o jovem republicano e ainda hoje grata figura que seria confundida com a própria liberdade e político da causas convictas, um republicano laico e livre pensador, conforme o mesmo gostava de se auto descrever, foi casar com uma das herdeiras de uma casa intimamente ligada por regras fixas de hereditariedade à monarquia mais remota desde os tempos de D. Afonso Henriques. Apesar de tudo isso, a educação que viria a ser transmitida a seus descendentes sempre foi assente nas mais profundas convicções do republicanismo. A trilogia liberdade, igualdade e fraternidade, não eram de facto letra morta ou mera frase de campanha politicamente correcta. Nunca, em tempo algum, qualquer dos ensinamentos que foram transmitidos passaram pela crença de que qualquer que fosse o homem estaria mais sujeito a qualquer tipo de tratamento especial por questões de ordem de hereditariedade genética, ou, uma qualquer fantasiosa opinião de que há uma qualquer predisposição de alguns para assumirem o poder. A dignidade da pessoa humana não pode ser mensurável através de factores de ordem familiar e genéticos. Se assim não fosse, conforme defendem os adeptos da causa monárquica relativamente ao chefe de estado, ponderando essa ideia de forma mais ampla e alargada, porque não alargar o conceito, que vale para a chefia de estado, a outros lugares de chefia? Porque é que esse raciocínio, que não mais constitui do que uma espécie de falso evolucionismo genético e elitista, não deverá estar adaptado a outros conceitos e lugares de estado?

Quem nos garante que a causa monárquica ficaria por aí?

Essa é indubitavelmente a pedra de toque que separará sempre e definitivamente de forma impossivelmente conciliatória a República da Monarquia. A República acredita na meritocracia para todos, independentemente do sexo, crença, religião, origem ou qualquer outro factor que eventualmente possa ser potencialmente discriminatório.

Essa é a grande lição de humanismo conciliatória com todos os cidadãos. Devemos todos ter a honestidade intelectual de não fazer confundir uma má fase da res publica portuguesa com a possibilidade de mudança de regime. De forma alguma seria essa a solução para o que quer que fosse. Seria bem mais útil melhorarmos o nosso nível de participação na cidadania através do envolvimento na sociedade civil em vez de queremos de qualquer forma criar uma crise de regime que não existe. É apenas a vontade de alguns, poucos, arreigados, quer queiram quer não, a valores de referência ultrapassados e anacrónicos.

A todos e cada um de nós cabe o direito de sonhar e chegar onde a sua própria vontade e valor o poderá levar, em profundo respeito pelo valor da igualdade que poderá constituir o último reduto da liberdade fraternalmente entre cidadãos.

Estes são argumentos reais da causa republicana.

Posted by Germano Amorim at 22:33:20 | Permalink | Comments (1) »

Saturday, March 8, 2008

Duas lutas

Por entre acordes esotéricos de Mogwai que nos propõem o transporte a uma outra realidade, ou a analisar uma perspectiva diferente dessa mesma realidade, penso no dia da mulher e na inevitável maior manifestação de sempre da classe docente que o país já assistiu.

Penso na tenacidade de mulheres e homens que na casa de uma idade que crê já bem mais no conforto do que propriamente na utopia das lutas de rua, acreditaram que a sua presença seria hoje impresncindível. Mas, hoje, em particular, lembro-me da mulher. Lembro-me de minha mãe e da sua corajosa inconformidade com o estado letárgico que parece que está instalado no país, tal dia de nevoeiro à beira mar plantado. No fundo, todos sabemos o que está para além da névoa. Apenas não compreendemos porque insiste o sol em não raiar e libertar milhares de pessoas a caminho desse mar.

Esse caminho tem que ser feito por corajosos que não se conformam. Por quem, como uma espécie de teimosia sem sentido, não se deixa resignar perante a realidade. Por quem acredita na beleza de acreditar que algo poderia ser melhor. Que se deixam levar pelo embalo de um sonho lúcido por que capaz de alcançar.

Apenas esses podem mudar o mundo. Hoje essa tarefa cabe aos professores. Essa classe que ao longo dos últimos anos não tem sido se não caluniada e desprezada. Num país de analfabetos iliteratos e maioritariamente incultos, nada melhor do que escolher como alvos os que vão ensinando. É uma espécie de terapia psiquiátrica que revela um imenso ódio de estimação aos que simbolizam conhecimento.

Dirão alguns que esta manifestação não mais está relacionada do que com a manutenção de um certo status quo aliado a esta profissão. Para muitos, ser professor não é mais do que obter regalias de um estatuto que em nada coincide com a dignidade da profissão. Mas haverá profissão mais digna do que ensinar? Mas o que pretendem afinal muitos do que senão o nivelamento por baixo de todos os sectores profissionais? Já que eu não ganho bem, tu não podes ganhar melhor! Este é o vil e mesquinho raciocínio imperante na sociedade portuguesa. Sociedade ainda corroída pela desconfiança e inveja. Males endémicos de um país cada vez mais adiado sem rumo certo.

Hoje não está em causa um governo. Não está em causa uma ministra. Um partido político. Qualquer sindicato que agora, pelos vistos, são efectivamente forças de bloqueio. Tudo isso é demasiado evidente. Hoje está em causa o futuro de um Estado. Hoje está em causa Portugal e todos os portugueses cada vez mais descrentes.

De nada adianta dizer que esta ministra devia ser imediatamente posta no olho da rua. Outra lhe seguirá. Importa sim marcar um dia de referência de viragem de uma nova luta que surgirá. Que nos envolve a todos sem excepção! Num virar de página que um dia foi entregue à rebeldia de jovens na sua maioria estudantes universitários. Também aí eram apelidados de intelectuais, preguiçosos e burgueses. Porém muito da sua luta foi inspiradora para várias gerações seguintes. Infelizmente as joves gerações actuais sofrem dum gravíssimo sindroma de falta de solidariedade. O seu espírito contestatário esgota-se nas manifestações anti-propina.

Por isso manifesto a minha total solidariedade e simpatia por aqueles que não se resignam! Por isso hoje, mais do que nunca, estou do vosso lado! Força!

Hoje é dia da Mulher. Não poso deixar de fazer referência a uma data que apesar de se lamentar que ainda exista, tal tem todo o sentido. O mundo ainda continua a descriminar as mulheres apesar de lentamente a face das coisas começar a mudar. Um dia assistiremos aos desesperados homens a fazer valer as leis de quotas a seu favor. Nas sociedades ocidentais tal realidade não estará assim tão distante.

A todas as mulheres ofendidas, perseguidas, violentadas, estupradas, ostracizadas, mutiladas, discriminadas, um voto de esperança.

Posted by Germano Amorim at 18:16:21 | Permalink | Comments (1) »

Monday, March 3, 2008

Retratos de ilusionismo

A Internet tem causado acrescidas dificuldades aos tradicionais meios de leitura assentes no papel. Porém, o papel tem a tradicional vantagem de perdurar no tempo e ser ainda, potencialmente, o único meio de comunicação ao alcance de todos.

Digo potencialmente, não a despropósito. Portugal, tem ainda uma faixa de cerca de 10% da população que é totalmente analfabeta e mais de 50% sofre de iliteracia, ou, se quisermos, o mesmo quererá dizer, uma espécie de analfabetismo funcional. É realmente dramática esta situação. Um retrato real de um país que se pretende moderno e desenvolvido, capaz de apresentar excelentes dados estatísticos a nível de ensino, à pressão, para um espaço europeu cada vez menos unido. Hoje temos a possibilidade de realizar licenciaturas e completar o ensino secundário praticamente à custa de entrevistas esporádicas sem o mínimo de preocupação com a qualidade.

Por falar em retratos, nada melhor do que assistir a uma entrevista de Sócrates para nos apercebermos do quão enganadores estes podem ser. De facto, a entrevista a que pudemos assistir, há já alguns dias, nada mais foi do que um mero exercício da vã tentativa de transformação do sapo no príncipe perfeito. Apenas em fábulas tal acontece.

O ilusionismo de Sócrates apenas poderá resultar para os menos atentos. Nem a preciosa ajuda da parelha de comentadores/entrevistadores, que mais não pareceram ser do que suas partenaires, conseguiram disfarçar tal anfíbia realidade. Os portugueses vivem o dia a dia de forma cada vez mais descrente e preocupada. Sabem que o desemprego aumentou, que o custo de vida real subiu, que o seu poder de compra desceu, que não podem olhar o futuro sem uma imensa e perturbante descrença na vida pública que cada vez mais se arrasta pelos infindáveis corredores do poder. Arrasta-se com a cada vez mais nítida sensação de que esse arrastar se faz a troco do benefício de alguns. As várias reformas continuam por fazer.

Não confundir reformas com a destruição de direitos, que, supostamente constitucionalmente inalienáveis, se vêm a ser esboroados como frágeis castelos de areia. De facto, a destruição, a título exemplar, do Sistema Nacional de Saúde, não pode deixar ninguém indiferente. Que o diga o PS de Arnaut, principal responsável há época pela criação deste mesmo sistema, em conjunto com Manuel Alegre. De facto, o que tem sucedido ao longo destes já aparentemente infindáveis anos de governação socrática, não pode deixar qualquer pessoa de bem indiferente. A forma como se alteram as expectativas de vida dos cidadãos é simplesmente cruel. Que dizer das reformas? O que adiantou planear uma vida, quando, num ápice, tudo se vê alterado? Que diz o PS que dantes defendia a vida além do défice? Um ensurdecedor silêncio é praticamente dominante, interrompido aqui e ali ocasionalmente por poucos homens livres que não temem a expressão das suas opiniões. Está instalada na sociedade portuguesa a irritante e perigosa mania de não discordar de Sócrates. Valha-nos a imprensa, de forma mais parca e a imensa blogosfera.

Pouco a pouco vai-se sentindo o desgastar de um mito. Afinal o homem é real e acima de tudo também erra. E como tem errado ao longo destes anos…

Posted by Germano Amorim at 12:00:51 | Permalink | Comments (8)

Monday, February 18, 2008

Escrever

Apetece-me escrever.

O quê ao certo, não sei…

Deixo os dedos decidirem por entre teclas pré-determinadas

não por uma vontade maior, mas e apenas

a nossa de escrever.

Por entre a solidão acompanhada pelos de quem gostamos

Vamos escrevendo, sem grande sentido,

Apenas por nós e para libertar esta ânsia obrigacional

de escrever

sobre um tema sem saber

Tão só e apenas escrever,

e quem não nos entenda poderá pensar

sobre o que estará ele a falar?

Eu responderei, que não estou a falar de nada!

Apenas a escrever

para aliviar uma dor desatinada!

Posted by Germano Amorim at 23:44:19 | Permalink | Comments (2)

Friday, February 1, 2008

CARNAVAL 2008 deVEZemquando com sexto sentido…

Mais uma produção de qualidade dos deVEZ em quando…

Actuação dos consagrados GoBOTS! na pista alternativa.

Dj residente na pista principal.

Dress code: muita fantasia e máscaras à mistura.

O Sexto sentido… diz que o serviço e a noite serão de estalo!

Bebida branca de oferta ou 2 correspondentes.

Não faltem…

Posted by Germano Amorim at 18:47:02 | Permalink | Comments (6)