Criança
Crianças,
com pobreza e abastança,
a cores, a preto e branco
numa barraca, num campo
verde, florido…
Comemorando a existência de um ser tantas vezes sofrido,
sem vontade
analfabeto, esquecido pelas vielas da vida desconfortável
sustentada sob implacáveis placas de zinco,
onde a chuva bate e insistentemente teima em penetrar,
conspurcando seus corpos,
despidos magros frios…
No sossego olham para livros e seus bonecos despidos
os gatafunhos de letras que resistem a ser percebidas!
Pudera… nunca tal nada lhes foi dito, explicado, querido.
Apenas as sombras dos seus corpos com negras reflectem seu estado
e só assim têm a percepção comparando com os outros meninos coloridos
de vidas alegres e mais fáceis
juntos talvez a um computador, playstation, gameboys,
tecnologias!
Dessas que também vão disfarçando ausências,
suprindo afectos, vontades,
carências…




